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11/Sep/2026

Boi: cota dos EUA sustenta exportações brasileiras

Segundo a S&P Global Commodity Insights, as exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos cresceram 37,2% no acumulado de janeiro a agosto de 2026 ante igual período de 2025, para 240,975 mil toneladas, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A ampliação temporária da cota de importação norte-americana isenta de tarifa, em 300 mil toneladas para o período de setembro a novembro, deve permitir que os exportadores brasileiros compensem o ritmo mais fraco dos embarques para a China e a suspensão das compras pela União Europeia. A consultoria Cera projeta que os embarques brasileiros aos Estados Unidos alcancem 401,3 mil toneladas no acumulado de 2026, ante 271,7 mil toneladas em 2025. No mercado chinês, os embarques de carne bovina brasileira recuaram 7,9% entre janeiro e agosto, para 872,7 mil toneladas, em razão da proximidade do limite da cota anual de 1,1 milhão de toneladas estabelecida para o Brasil em 2026.

Dados da alfândega chinesa indicam que 91,5% da cota já havia sido preenchida até julho, fazendo com que os volumes excedentes fiquem sujeitos a tarifa adicional de 55%. A restrição reduz o espaço para expansão dos embarques brasileiros ao principal mercado externo da proteína e aumenta a importância dos Estados Unidos como destino adicional para a carne bovina nacional. Na União Europeia, as importações da proteína brasileira cresceram 26,4% no acumulado até agosto, para 72,9 mil toneladas. Apesar do avanço no período, o bloco suspendeu as compras a partir de 3 de setembro após questionamentos relacionados ao cumprimento das exigências de controle do uso de antimicrobianos no rebanho. A interrupção acrescenta uma segunda restrição relevante ao fluxo externo da carne bovina brasileira, em um momento de menor disponibilidade de animais para abate no mercado doméstico. A expansão das vendas aos Estados Unidos tende a amenizar, mas não elimina, o impacto das restrições impostas por China e União Europeia sobre as exportações brasileiras.

A Cera projeta queda de 11,9% no volume total exportado pelo Brasil em 2026, para 3,86 milhões de toneladas, seguida por nova retração de 8,4% em 2027, para 3,54 milhões de toneladas. O cenário reflete o avanço da fase de reconstrução do rebanho brasileiro e a retenção de fêmeas, fatores que reduzem a disponibilidade de animais destinados ao abate e limitam a oferta exportável. A produção nacional de carne bovina está projetada em 12,1 milhões de toneladas em 2026, queda de 3,9% ante 2025, enquanto o abate deve alcançar 45 milhões de cabeças, recuo de 7,2%. A combinação entre menor oferta doméstica, retenção de fêmeas e restrições de acesso a mercados importantes deverá manter o volume exportado sob pressão, mesmo com a ampliação temporária da cota norte-americana e o consequente aumento da participação dos Estados Unidos nas vendas externas brasileiras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.