11/Sep/2026
O Brasil pode absorver entre 30% e 40% das 300 mil toneladas adicionais de carne bovina abertas pelos Estados Unidos, o equivalente a um volume entre 90 mil e 120 mil toneladas. O Brasil é o país em melhor posição para atender à nova demanda norte-americana, especialmente em função do perfil dos produtos requeridos pelo mercado dos Estados Unidos. As regras de elegibilidade adotadas pelos Estados Unidos favorecem a participação brasileira, principalmente porque a nova demanda está concentrada em carne magra e trimmings, aparas utilizadas, entre outras finalidades, na produção de hambúrgueres. O potencial de 90 mil a 120 mil toneladas representa um volume relevante para as exportações brasileiras, embora a efetivação desse fluxo dependa da viabilidade econômica das operações pela indústria.
A posição competitiva do Brasil também é favorecida pelo fato de tradicionais fornecedores do mercado norte-americano, como Argentina, Austrália, Uruguai e Nova Zelândia, possuírem cotas próprias e, portanto, não disputarem diretamente o volume adicional aberto pelos Estados Unidos. Entre os potenciais concorrentes estão o Paraguai e países da América Central, mas com capacidade exportadora inferior à brasileira. Apesar dessa vantagem, a indústria brasileira precisa avaliar a rentabilidade das operações, uma vez que os cortes demandados pelos Estados Unidos representam uma parcela limitada da carcaça e as cotações do boi gordo permanecem firmes no mercado doméstico.
Dessa forma, a ampliação das vendas para os Estados Unidos tende a gerar oportunidade adicional para os frigoríficos, mas sua concretização dependerá da relação entre preços externos, aproveitamento da carcaça e custo da matéria-prima no mercado brasileiro. A abertura de espaço no mercado norte-americano ocorre simultaneamente à redução das compras chinesas de carne bovina brasileira. Os Estados Unidos podem contribuir para absorver parte da oferta que deixa de ser direcionada à China, mas o mercado norte-americano não possui capacidade para substituir integralmente o principal destino da carne bovina brasileira.
Em agosto, os Estados Unidos chegaram a superar a China nas compras de carne bovina brasileira. Enquanto a demanda chinesa permanecer temporariamente menor, o mercado norte-americano tende a assumir maior protagonismo nas exportações brasileiras, funcionando como destino adicional para a produção em um período de menor absorção pela China. No mercado pecuário doméstico, contudo, o principal fator de sustentação da arroba do boi gordo continua sendo a mudança do ciclo pecuário brasileiro. A expectativa é de menor disponibilidade de animais para abate no segundo semestre, o que tende a manter o mercado físico sustentado. No curto prazo, as cotações permanecem firmes, mas ainda acomodadas, sem uma trajetória consistente de altas expressivas no mercado físico.
No mercado futuro, os avanços têm ocorrido com maior frequência. Para novembro e dezembro, o cenário se torna mais favorável à valorização da arroba, diante da combinação de oferta mais restrita de animais, aumento sazonal do consumo doméstico, maior demanda dos Estados Unidos e expectativa de retomada das exportações para a China, já considerando a cota de 2027. Esse conjunto de fatores aumenta o potencial de sustentação dos preços do boi gordo e mantém a perspectiva de recordes para a arroba nos dois últimos meses do ano, embora essa valorização ainda não tenha se refletido com a mesma intensidade no mercado físico. Fonte: Canal Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.