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11/Sep/2026

Boi: ciclo mais longo reduz margem do confinamento

De acordo com o Índice de Custo Alimentar Ponta (Icap), calculado com base em informações reais coletadas pela Tecnologia de Gestão de Confinamento (TGC), responsável pela gestão de cerca de 57% das cabeças confinadas no País, a redução do custo alimentar não foi suficiente para elevar a lucratividade do confinamento de bovinos no Centro-Oeste em agosto. O custo alimentar recuou 9,38% na região, para R$ 11,89 por cabeça/dia, o segundo menor valor de toda a série histórica. Apesar do alívio na alimentação, o maior tempo de permanência no cocho e a menor produção por bovino pressionaram o custo da arroba produzida e reduziram a rentabilidade do confinamento.

O tempo de cocho aumentou de 99 para 107 dias, enquanto a produção caiu de 8,08 para 7,81 arrobas por bovino. Como consequência, o custo da arroba produzida avançou 11,07%, para R$ 200,61, e a lucratividade recuou 13,63%, para R$ 983,18 por cabeça. A redução do custo alimentar também diminuiu significativamente a diferença entre as regiões. Depois de a vantagem do Sudeste atingir R$ 1,64 por cabeça/dia em julho, a diferença caiu para R$ 0,35 por cabeça/dia em agosto, menor nível desde o início da inversão regional, em março. Mesmo com a aproximação, o Sudeste manteve o menor Icap pelo sexto mês consecutivo.

No Centro-Oeste, a queda do custo alimentar foi determinada principalmente pela redução da despesa com a dieta de terminação, que recuou 8,45%, para R$ 1.022,62 por tonelada de matéria seca (MS). Esse foi o maior alívio mensal registrado em 2026 na região. Os ingredientes proteicos apresentaram queda de 24,85% na ponderação, enquanto o DDG, grãos secos de destilaria, coproduto rico em proteína obtido na produção de etanol de milho, atingiu o menor preço do ano. Com esse movimento, pela primeira vez desde fevereiro, a dieta de terminação do Centro-Oeste ficou mais barata que a do Sudeste. No Sudeste, o custo alcançou R$ 1.046,27 por tonelada de Mato Grosso do Sul, com queda de 1,96% em agosto.

A inversão dos custos das dietas evidencia o impacto da redução dos preços dos ingredientes utilizados na formulação da alimentação dos animais no Centro-Oeste. A queda do custo alimentar, entretanto, não resultou em maior lucratividade no Centro-Oeste. Além do ciclo de engorda mais longo e da menor produção de arrobas por animal, a maior participação de outros custos pressionou o resultado econômico do confinamento. O comportamento contrasta com o observado no Sudeste, onde a lucratividade avançou 1,59%, para R$ 1.163,88 por cabeça, maior resultado desde abril. Com isso, o Sudeste ampliou a liderança na lucratividade da arroba produzida, alcançando R$ 180,70 por cabeça, maior diferença regional do ano.

O resultado combina cotação mais elevada com menor custo de produção. No mercado de exportação, considerando o boi destinado à China, a vantagem do Sudeste também permaneceu, com lucratividade de R$ 1.235,16 por cabeça, ante R$ 1.026,13 por cabeça no Centro-Oeste. O comportamento de agosto reforça que a rentabilidade do confinamento não depende exclusivamente da evolução do custo alimentar. A duração do ciclo, o ganho de produtividade em arrobas por animal e a composição dos demais custos podem neutralizar parte relevante do benefício proporcionado pela queda dos preços da dieta, tornando a eficiência operacional e a gestão do ciclo determinantes para o resultado econômico. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.