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11/Sep/2026

Carnes: alta do consumo é mudança estrutural global

O aumento do interesse dos consumidores por alimentos ricos em proteína representa uma mudança estrutural na alimentação mundial, e não uma tendência passageira. O movimento envolve consumidores de diferentes faixas etárias, que passaram a associar a ingestão de proteína não apenas à formação de massa muscular, mas também à saúde, à qualidade de vida e à composição nutricional da dieta. A mudança já influencia as estratégias de inovação da indústria de proteínas. A disseminação de informações sobre alimentação tende a aprofundar esse processo, à medida que os consumidores ampliam a atenção sobre os alimentos ingeridos e seus atributos nutricionais. Nesse ambiente, a avaliação da proteína deixa de estar concentrada apenas na quantidade presente nos produtos e passa a considerar características como digestibilidade e perfil de aminoácidos.

A estratégia da JBS permanece baseada em escala e eficiência, mas incorpora de forma crescente tecnologia e inovação para atender a mudanças no perfil do consumidor. A evolução da alimentação básica em direção a produtos funcionais e, em alguns casos, a soluções mais customizadas, amplia o potencial de agregação de valor na cadeia de proteínas e cria oportunidades mesmo em categorias consideradas maduras. Um exemplo é a Just Bare, marca de frango integrante do portfólio da Pilgrim's Pride, controlada pela JBS nos Estados Unidos. A marca alcançou faturamento de US$ 1 bilhão em menos de cinco anos. O desempenho indica que categorias consolidadas podem apresentar expansão relevante quando os produtos incorporam atributos valorizados pelos consumidores.

Outro exemplo é a plataforma Lightly Breaded, linha de produtos empanados da marca. Um dos itens da linha atingiu cerca de 15% de participação em seu segmento no mercado norte-americano em aproximadamente dois anos e meio. O resultado evidencia o potencial de crescimento em mercados maduros quando a oferta combina entendimento das necessidades do consumidor e uma proposta de valor diferenciada. A mudança no comportamento alimentar também é observada fora dos Estados Unidos. No Reino Unido, supermercados vêm ampliando o espaço destinado a frango e pescado em relação a outras categorias. Nos Estados Unidos, produtos tradicionais de café da manhã estão perdendo espaço, enquanto alternativas baseadas em ovos e outras fontes de proteína ganham participação na atenção dos consumidores.

Valor nutricional e conveniência tendem a avançar conjuntamente nesse processo. Os consumidores buscam alimentos com maior concentração de proteína e atributos nutricionais específicos, mas continuam valorizando praticidade. Essa combinação cria oportunidades tanto para categorias básicas quanto para alimentos preparados e produtos de maior valor agregado. A expansão do uso de medicamentos da classe GLP-1 integra esse cenário, mas não explica isoladamente a transformação na demanda por proteína. As mudanças observadas refletem também uma reavaliação mais ampla do papel da proteína na alimentação e na saúde. O movimento envolve tanto as novas gerações quanto consumidores mais velhos preocupados com qualidade de vida e composição nutricional da dieta.

A transformação ocorre em diferentes mercados, embora em velocidades distintas. A tendência é de consolidação à medida que os consumidores ampliam o conhecimento sobre aspectos nutricionais dos alimentos e incorporam esses critérios às decisões de compra. Para a indústria, o movimento reforça a necessidade de investir em tecnologia, inovação, conveniência e diferenciação para capturar o crescimento da demanda por proteína. A perspectiva é de que a proteína ganhe importância estrutural na alimentação global, com impactos sobre o desenvolvimento de produtos, a composição dos portfólios e as estratégias de agregação de valor. A mudança amplia as oportunidades para carnes, ovos, pescado e alimentos funcionais, ao mesmo tempo em que aumenta a competição pela preferência do consumidor em categorias tradicionais e maduras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.