10/Sep/2026
As exportações de carne bovina à China recuaram de forma expressiva em agosto, devido ao avanço do preenchimento da cota estabelecida pelo país, o que limitou a entrada da proteína brasileira no mercado asiático. Assim, as vendas nacionais totais também apresentaram retração frente a julho. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume de carne bovina brasileira embarcado para a China somou apenas 16,136 mil toneladas em agosto, fortes baixas de 80,5% em relação a julho/26, quando foram exportadas 82,714 mil toneladas, e de 89,8% frente a agosto de 2025 (158,056 mil toneladas). A participação da China no volume total de carne bovina embarcada pelo Brasil recuou de 32,1% em julho para 7,1% no mês passado. Segundo a última atualização do governo chinês, no início de agosto, o Brasil já havia preenchido 90% da cota.
No acumulado de janeiro a agosto, o país asiático recebeu 872,117 mil toneladas de carne bovina brasileira, volume 8% inferior às 948,323 mil toneladas registradas no mesmo período de 2025. Além da redução dos volumes, o valor médio do produto exportado para a China registrou baixa de 10,7% entre julho e agosto, com média de US$ 5,72 por Kg. Na contramão do mercado chinês, outros importantes destinos ampliaram as compras da proteína brasileira no período. Os Emirados Árabes Unidos elevaram as importações em 62,2%, a Itália, em expressivos 135,3%, a Rússia, em 83,3%, o Egito, em 39% e os Estados Unidos, em 22,1%. Esse movimento evidencia a busca do Brasil por maior diversificação dos destinos diante das restrições impostas pela China. Estados Unidos, Itália e Rússia reduziram os valores pagos pela carne brasileira no mês passado. As quedas foram de 4,2%, 6,9% e 0,9%, respectivamente, levando os preços médios para US$ 6,42 por Kg, US$ 7,81 por Kg e US$ 5,31 por Kg, na mesma ordem.
Em sentido oposto, Egito e Emirados Árabes Unidos elevaram os preços pagos pela proteína brasileira em agosto, com altas de 1,3% e 2,5%, respectivamente. Os valores médios passaram a US$ 4,68 por Kg e US$ 5,71 por Kg. A forte redução das compras chinesas representa um fator potencialmente baixista para a carne bovina brasileira, sobretudo caso as restrições se prolonguem. O avanço dos embarques para outros destinos mostra, por outro lado, a capacidade do Brasil de redirecionar parte da oferta e ampliar a diversificação dos mercados. O Brasil exportou 226,777 mil toneladas de carne bovina em agosto, baixas de 12,1% frente a julho/26 e de 23,2% na comparação com agosto do ano passado. Os embarques de carne bovina in natura nesta parcial de setembro (quatro dias úteis) estão em ritmo lento. Até o momento, foram exportadas 40,582 mil toneladas, o que corresponde a uma média diária de 10,145 mil toneladas, com preço médio pago em US$ 6.137,60 por tonelada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.