09/Sep/2026
Segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), as exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 233,5 mil toneladas em agosto de 2026, queda de 22,2% ante igual mês de 2025. A receita cambial somou US$ 1,36 bilhão, retração de 15,2% na mesma comparação. O desempenho de agosto foi influenciado principalmente pela forte redução dos embarques para a China e representou o menor volume mensal exportado pelo Brasil em 2026. As vendas ao mercado chinês somaram 18,9 mil toneladas, queda de 88,2% ante agosto de 2025. A receita recuou 88,6%, para US$ 101,9 milhões. A retração das compras chinesas está relacionada ao esgotamento da cota estabelecida pela salvaguarda aplicada pela China. A indústria considera que o limite foi integralmente atingido desde o início de julho, considerando os volumes embarcados e as cargas em trânsito.
A diferença em relação aos cerca de 92% de utilização apontados pelas autoridades chinesas decorre da metodologia de cálculo da cota, baseada no desembarque. Como o transporte entre Brasil e China leva de 40 a 45 dias, parcela relevante dos volumes já exportados ainda não consta das estatísticas chinesas. Com a redução das compras da China, outros destinos ampliaram a participação nas exportações brasileiras em agosto. Os Estados Unidos lideraram os embarques, com 35,3 mil toneladas, alta de 276% ante agosto de 2025. A União Europeia recebeu 23,4 mil toneladas, avanço de 108,6%, enquanto a Rússia importou 22,0 mil toneladas, crescimento de 54,5%. O Chile recebeu 17,4 mil toneladas, alta de 44,4%. Em receita, os embarques para Estados Unidos, União Europeia, Rússia e Chile movimentaram, respectivamente, US$ 226,5 milhões, US$ 201,9 milhões, US$ 116,8 milhões e US$ 108,3 milhões.
O desempenho evidencia uma redistribuição dos embarques brasileiros no segundo semestre, com aumento da participação de diferentes mercados em resposta à retração das compras chinesas. De janeiro a agosto, o Brasil exportou 2,202 milhões de toneladas de carne bovina, crescimento de 5,3% ante o mesmo período de 2025. A receita acumulada alcançou US$ 12,79 bilhões, avanço de 21,7%. A China permaneceu como principal destino no acumulado do ano, com 899,2 mil toneladas e receita de US$ 5,51 bilhões. O volume representa queda de 6,6% ante o mesmo período de 2025, mas o mercado chinês ainda respondeu por 40,8% de toda a carne bovina brasileira exportada nos oito primeiros meses de 2026. Os Estados Unidos aparecem na sequência, com 269,1 mil toneladas, alta de 28,7%, e receita de US$ 1,74 bilhão. O Chile recebeu 107,3 mil toneladas, crescimento de 32,0%, com receita de US$ 649,7 milhões.
A Rússia importou 96,3 mil toneladas, avanço de 29,7%, e gerou receita de US$ 453,5 milhões. A União Europeia recebeu 87,1 mil toneladas, alta de 26,4%, com receita de US$ 762,3 milhões. Mercados com menor participação histórica também apresentaram forte expansão em 2026. A Indonésia importou 55,2 mil toneladas entre janeiro e agosto, aumento de 259,6% ante o mesmo período de 2025. O Vietnã recebeu 10,0 mil toneladas, alta de 408,3%, enquanto a Argentina importou 19,0 mil toneladas, crescimento de 140,1%. Os embarques para o Canadá somaram 10,8 mil toneladas, avanço de 191,1%. O Peru recebeu 7,0 mil toneladas, alta de 84,2%; a Jordânia, 15,1 mil toneladas, aumento de 51,6%; a Arábia Saudita, 50,0 mil toneladas, crescimento de 24,9%; e a Turquia, 14,7 mil toneladas, avanço de 12,9%. O desempenho acumulado evidencia a ampliação da presença da carne bovina brasileira em diferentes mercados e uma redução gradual da concentração das exportações, embora a China permaneça como principal destino.
O crescimento dos embarques para Estados Unidos, Chile, Rússia, União Europeia e mercados emergentes contribui para diversificar a demanda externa e ampliar as alternativas comerciais para a indústria brasileira. Os dados da Abiec consideram as exportações de carne bovina in natura, industrializada e salgada, além de miúdos, gorduras e tripas. Em agosto, a carne in natura respondeu por 195,7 mil toneladas, equivalentes a 84% do total exportado. Na sequência aparecem miúdos, com 18,6 mil toneladas, ou 8%; produtos industrializados, com 9,6 mil toneladas, ou 4,1%; gorduras, com 6,4 mil toneladas, ou 2,7%; tripas, com 2,5 mil toneladas, ou 1,1%; e carnes salgadas, com 647 toneladas, ou 0,3%. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.