09/Sep/2026
O economista Paul Krugman questionou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ampliar temporariamente as importações de carne bovina e associou a medida à reunião realizada pelo republicano com o empresário brasileiro Joesley Batista, um dos controladores da JBS, na Casa Branca. Krugman também criticou os padrões sanitários da carne brasileira e avaliou que a ampliação das importações pode dificultar a identificação da origem da carne consumida nos Estados Unidos. Segundo o The Wall Street Journal, Joesley Batista se reuniu com Donald Trump no Salão Oval em 20 de agosto para discutir como o aumento da oferta brasileira poderia contribuir para reduzir os preços da carne nos Estados Unidos caso o governo eliminasse a tarifa de importação de 26%. No dia seguinte, Trump anunciou um plano para ampliar temporariamente a entrada de carne estrangeira no mercado norte-americano.
A sequência dos acontecimentos levanta questionamentos sobre o processo de tomada de decisão do governo norte-americano. O economista classificou o episódio como possível influência indevida e associou o caso a problemas de corrupção e incompetência. Também questionou a aparente ausência de avaliações prévias do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e de especialistas em segurança alimentar. Em relação especificamente ao Brasil, Krugman criticou os padrões de segurança sanitária adotados pelo País na produção de carne e apontou preocupações relacionadas ao produto brasileiro. Como referência, citou restrições recentes da União Europeia à carne bovina brasileira relacionadas aos padrões para utilização de antibióticos.
O economista também levantou a possibilidade de que a carne brasileira importada pelos Estados Unidos seja composta por aparas posteriormente moídas e misturadas a produtos de outras origens. Nesse cenário, os consumidores norte-americanos poderiam ter dificuldade para identificar a origem da carne e as condições em que o gado foi criado ou o produto processado. A avaliação é particularmente relevante para a carne moída, diante da possibilidade de mistura de matérias-primas provenientes de diferentes países. A ampliação das importações ocorre em um momento em que Donald Trump busca conter a alta dos preços da carne bovina nos Estados Unidos e enfrenta resistência de pecuaristas e parlamentares republicanos. Segundo o The Wall Street Journal, a Pilgrim’s Pride, controlada pela JBS, realizou uma doação de US$ 5 milhões para a posse de Trump. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.