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09/Sep/2026

Carnes: desempenho da exportação no 3º trimestre

Segundo o Citi, as exportações brasileiras de proteínas apresentam desempenhos distintos no terceiro trimestre, com a carne de frango como principal destaque positivo e a carne bovina registrando perda de ritmo, com impactos sobre volumes e margens no período. A pressão sobre a bovinocultura tende a ser temporária, com possibilidade de recuperação dos embarques no quarto trimestre. Nas exportações de carne de frango, a receita em dólares acumulada no terceiro trimestre até agosto aumentou 6,4% em relação ao segundo trimestre, sustentada pelo crescimento de 1% nos volumes e de 5,3% nos preços. Na comparação anual, a receita avançou 36%, com alta de 21,9% nos embarques e de 11,6% nos preços. Parte desse desempenho mais forte decorre de uma base de comparação mais favorável, após as restrições comerciais provocadas pela gripe aviária em 2025. Ainda assim, os resultados reforçam a perspectiva de mais um trimestre internacional positivo para a BRF/Seara.

A oferta doméstica elevada permanece como ponto de atenção para as margens do segmento. Na carne bovina, o desempenho acumulado no trimestre é considerado mais relevante do que o resultado isolado de agosto. Os volumes exportados recuaram 22,3% ante o terceiro trimestre de 2025, enquanto a receita em dólares caiu 12,7% e, em Reais, 18,4%. A alta de 12,4% nos preços em dólar compensou apenas parcialmente a redução dos embarques. O cenário deve resultar em pressão sobre volumes e margens das operações brasileiras de carne bovina no terceiro trimestre. O impacto sobre as empresas, contudo, tende a ser inferior ao indicado pela queda das exportações brasileiras. Na MBRF, a diversificação geográfica e entre proteínas reduz a exposição ao mercado brasileiro de carne bovina. Na Minerva, mais concentrada no segmento, a presença produtiva em diferentes países da América Latina e a flexibilidade comercial permitem redirecionar volumes entre mercados e canais.

Para o quarto trimestre, a expectativa é de recuperação das exportações brasileiras de carne bovina, impulsionada pela antecipação de compras da China antes da implementação das cotas previstas para 2027. Na carne suína, o desempenho é intermediário. Os embarques acumulados no terceiro trimestre avançaram 4,4%, enquanto os preços recuaram 9%, resultando em queda de 5% na receita em dólar e de 11,2% na receita em Reais. A demanda externa permanece saudável, mas o comportamento dos preços oferece suporte limitado ao desempenho da proteína. O câmbio também amplia a diferença entre a evolução das receitas em dólar e em moeda brasileira. A cotação média ficou em R$ 5,13 por dólar no terceiro trimestre até agosto, 6,5% abaixo da média registrada um ano antes. Nesse cenário, a receita de aves em reais ainda cresceu 27,1% na comparação anual, enquanto as receitas de carne bovina e suína recuaram 18,4% e 11,2%, respectivamente. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.