04/Sep/2026
Os ministros das Relações Exteriores do Mercosul não chegaram a um acordo sobre a divisão da cota conjunta de exportação de carne bovina para a União Europeia. Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai podem utilizar conjuntamente uma cota anual de 99 mil toneladas prevista no acordo comercial com o bloco europeu, com tarifa reduzida de 7,5%. A reunião informal ocorreu em Montevidéu, convocada pelo Uruguai, atual presidente temporário do Mercosul, para tentar destravar uma negociação que se arrasta há meses. Os chanceleres discutiram os critérios de repartição, mas não chegaram a um consenso, com as posições de Brasil, Argentina e Uruguai mais próximas entre si e divergência significativa em relação à proposta do Paraguai. Os ministros deverão voltar a se reunir presencialmente dentro de 45 a 60 dias, enquanto os negociadores técnicos foram encarregados de buscar alternativas para superar o impasse. O objetivo é alcançar um acordo político entre os chanceleres antes da cúpula de líderes do Mercosul, agendada para 4 de dezembro, em Montevidéu.
A discussão ocorreu no dia 2 de setembro, véspera da entrada em vigor do veto sanitário da União Europeia à comercialização de carne bovina brasileira. Os embarques realizados até 3 de setembro poderão ingressar no mercado europeu, enquanto, posteriormente, a carne brasileira ficará impedida de entrar no bloco. A restrição, conforme estimativas apresentadas na reunião, poderá durar de dois a três anos em razão do ciclo de vida dos bovinos. O veto europeu está relacionado à exigência de que não haja utilização de antimicrobianos na pecuária, incluindo determinados antibióticos empregados para melhoria de desempenho ou crescimento animal. O Brasil foi excluído da lista de exportadores autorizados porque o governo federal não apresentou garantias consideradas suficientes para o cumprimento dos requisitos de certificação. O Uruguai manifestou preocupação com a medida e com o risco de mecanismos comerciais do acordo Mercosul-UE resultarem em restrições de acesso aos mercados.
O principal entrave à divisão da cota permanece sendo a posição do Paraguai, cujo governo defende que os quatro integrantes do bloco tenham direito a 25% do volume cada, em uma repartição igualitária. A diplomacia paraguaia considera esse critério mais justo, enquanto produtores do país avaliam que a divisão uniforme permitiria ampliar sua participação no mercado europeu. Brasil, Argentina e Uruguai, por outro lado, defendem uma repartição proporcional ao histórico de vendas ao mercado europeu, critério que favoreceria os países com maior capacidade de produção e exportação, além de maior disponibilidade de rebanhos destinados ao abate. Brasil e Argentina lideram a defesa do rateio conforme a participação de cada país no mercado europeu, com apoio do Uruguai. A posição dos três países apresenta uma tendência comum, embora ainda existam diferenças entre as propostas. O Paraguai permanece como principal ponto de divergência.
Diplomatas avaliam que a demanda paraguaia também pode estar relacionada à busca por contrapartidas em outras negociações bilaterais e regionais, incluindo a revisão do Tratado de Itaipu e questões relacionadas à venda de energia elétrica. O governo paraguaio, contudo, reconhece a necessidade de avançar em alternativas capazes de permitir a construção de um consenso. Um acordo firmado pelo setor privado em 2004, no âmbito da Federação das Associações Rurais do Mercosul (Farm), previa a destinação de 42,5% da cota ao Brasil, 29,5% à Argentina, 21% ao Uruguai e 7% ao Paraguai. O cálculo considerava a participação de cada país no mercado europeu e a produção de carne bovina dos integrantes do bloco. O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entrou em vigência provisória em 1º de maio e, até o momento, o preenchimento da cota ocorre por ordem de chegada. Com isso, os produtos que ingressarem primeiro no mercado europeu têm prioridade na utilização da preferência tarifária, independentemente do país de origem dentro do Mercosul. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.