04/Sep/2026
O embargo da União Europeia a produtos brasileiros de origem animal, em vigor a partir de 3 de setembro de 2026, pode provocar perdas próximas de US$ 400 milhões por ano para as cadeias de avicultura e bovinocultura de corte do Paraná. O cálculo considera os embarques realizados pelo Paraná para o bloco europeu em 2025, que somaram US$ 382 milhões em carne de frango, equivalentes a 118,7 mil toneladas, e US$ 10,2 milhões em carne bovina, correspondentes a 1,4 mil toneladas. No 1º semestre de 2026, as exportações paranaenses para a União Europeia alcançaram cerca de US$ 224 milhões em proteína avícola, com volume de 78,7 mil toneladas, e US$ 4,6 milhões em carne bovina, com 643 toneladas, conforme dados do Agrostat. Atualmente, o mercado europeu representa 5% das exportações de carnes do Paraná.
O embargo abrange produtos de origem animal, incluindo carnes bovina e de frango, mel, equinos, tripas e produtos de aquicultura. A medida gera preocupação não apenas pelo impacto direto sobre os embarques, mas também pelos efeitos sobre a percepção sanitária dos produtos brasileiros em outros mercados. A União Europeia funciona como uma referência sanitária internacional, uma vez que diversos países utilizam suas exigências como parâmetro para estabelecer critérios próprios de importação. O Paraná ocupa a liderança nacional na produção e exportação de carne de frango e possui, desde 2021, status de área livre de febre aftosa sem vacinação reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). O Brasil obteve o reconhecimento internacional dessa condição em 2025, enquanto a China passou a reconhecer o mesmo status neste ano.
Apesar da possibilidade de perdas imediatas, há expectativa de retomada das exportações de carne de frango no curto prazo. Desde 24 de agosto de 2026, técnicos da União Europeia realizam auditorias em propriedades brasileiras para avaliar os sistemas de produção, processamento e fiscalização sanitária de carne de frango e mel, com foco no cumprimento das regras relacionadas ao uso de antimicrobianos. A expectativa do setor produtivo é de que a conclusão das auditorias e das análises sanitárias permita a retirada gradual do embargo sobre as proteínas brasileiras. Para o Paraná, uma eventual normalização dos embarques para o bloco europeu é relevante para reduzir os impactos comerciais sobre as cadeias de frango e carne bovina e preservar o acesso a um mercado que, embora represente parcela limitada das exportações estaduais, possui elevada importância como referência sanitária para outros compradores internacionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.