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03/Sep/2026

Boi: preços sustentados por restrições na oferta

As cotações do boi gordo estiveram firmes em agosto, diante da combinação de oferta mais restrita de bovinos prontos para abate e de demanda elevada, especialmente do mercado externo. Ao longo do mês passado, a menor disponibilidade de gado limitou movimentos mais agressivos por parte das indústrias, mantendo o boi gordo firme mesmo diante da postura mais cautelosa dos frigoríficos nas negociações. Do lado dos pecuaristas, a expectativa de preços ainda maiores no curto prazo também contribuiu para a retração de parte dos vendedores. Na primeira quinzena de agosto, o preço médio do boi gordo em São Paulo registrou média de R$ 347,00 por arroba e passou para o patamar de R$ 344,00 por arroba na segunda metade do mês, seguindo firme até o final do período.

A média de agosto foi de R$ 345,92 por arroga, elevações de 3,1% em relação a julho e de 9,8% frente a agosto do ano passado, em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-DI de julho/26). De acordo com dados da DSM Tortuga, o comportamento do confinamento reforça a percepção de um mercado mais ajustado. Em agosto, o número de bovinos confinados esteve 14,4% abaixo do observado no mesmo período de 2025. Embora tenha havido recuperação da ocupação dos cochos nos últimos meses, o volume ainda inferior ao do ano passado indica menor contribuição do confinamento para a oferta de animais terminados ao longo do segundo semestre. Essa menor base de bovinos confinados ganha importância à medida que o mercado se aproxima do último trimestre, período em que tradicionalmente aumenta a participação do gado de cocho nos abates.

Com menos bovinos confinados, a oferta adicional de boi terminado tende a ser mais limitada, o que pode reduzir a pressão sobre as cotações no final do ano, especialmente se a demanda permanecer aquecida. Essa perspectiva já vem sendo incorporada pelo mercado futuro, que apresenta aumento das cotações nos próximos meses. De forma geral, a menor disponibilidade de bovinos e a perspectiva de oferta de confinamento ainda abaixo da observada no ano passado reduzem o espaço para quedas mais acentuadas das cotações. De outro lado, o bom ritmo das exportações contribui para dar sustentação à demanda, enquanto o mercado interno permanece mais sensível aos preços. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.