03/Sep/2026
Importadores europeus de carne de frango estão antecipando compras do Brasil diante da proximidade da entrada em vigor da restrição às exportações brasileiras para a União Europeia, prevista para 3 de setembro. As vendas brasileiras ao bloco cresceram 73% de janeiro a julho de 2026 e, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a antecipação dos embarques reduz o risco de pressão imediata sobre os preços domésticos enquanto o mercado europeu permanecer fechado ao produto brasileiro. A indústria vem atendendo aos volumes demandados pelos importadores europeus. As compras da União Europeia já apresentavam crescimento antes do anúncio da retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne de frango.
O volume, que historicamente variava entre 15 mil e 20 mil toneladas por mês, superou 30 mil toneladas mensais no primeiro semestre de 2026. Em janeiro, foram embarcadas cerca de 27 mil toneladas; em fevereiro e março, 30 mil toneladas em cada mês; e, em abril, 33 mil toneladas. Em maio, as vendas alcançaram 40 mil toneladas, recuaram para 28 mil toneladas em junho e somaram 36 mil toneladas em julho. O aumento da demanda europeia antecede a restrição e está relacionado às dificuldades enfrentadas pela produção local, incluindo os impactos da influenza aviária e de problemas climáticos sobre a oferta de grãos. A proximidade do bloqueio, contudo, reforçou o movimento de antecipação das compras, com os importadores ampliando os volumes adquiridos antes da interrupção das exportações brasileiras.
Os dados indicam que compradores europeus formaram estoques para atravessar o período de suspensão das importações brasileiras. Esse movimento também contribui para reduzir o risco de excesso de produto no mercado doméstico no curto prazo. O aumento das vendas para a Europa, entretanto, não representa necessariamente crescimento da produção brasileira, uma vez que, diante dos volumes destinados ao bloco acima da média histórica, parte da oferta foi deslocada de outros mercados. Nesse contexto, uma eventual suspensão das compras europeias por um período curto tende a ser administrável para a indústria brasileira. As empresas também não devem reduzir imediatamente a produção em resposta à restrição e mantêm o atendimento aos clientes europeus e os protocolos necessários para uma eventual retomada das exportações.
No momento, não há indicação de risco relevante de pressão sobre os preços domésticos decorrente da suspensão das exportações para a União Europeia. A duração do bloqueio será determinante para os efeitos sobre o mercado. A Europa representa um destino relevante para a proteína brasileira e exerce papel importante na formação de preços e no consumo de produtos de maior valor agregado. Enquanto os compradores antecipam volumes, a missão da União Europeia que está no Brasil para avaliar os controles sanitários ainda não apresentou sinalização concreta sobre a retomada das exportações. As empresas vêm apresentando aos técnicos europeus os procedimentos de segregação e os controles relacionados ao uso de antimicrobianos.
A missão também verifica a estrutura adicional de fiscalização implementada pelo governo brasileiro. O setor já realizava a segregação dos lotes destinados à Europa antes da criação da camada adicional de fiscalização. Produtos que tivessem recebido determinados medicamentos, mesmo sem apresentar resíduos acima dos limites permitidos, já eram direcionados a outros mercados. A missão europeia teve atividades nesta quarta-feira (02/09), incluindo visitas a plantas em Mato Grosso do Sul. Não há prazo definido para uma decisão da União Europeia. A retomada das exportações dependerá da análise dos dados coletados durante a missão e da avaliação do bloco sobre a suficiência dos controles sanitários brasileiros.
A partir de 3 de setembro, o Brasil não poderá certificar novos lotes destinados à União Europeia enquanto a restrição estiver em vigor. Produtos certificados até esta quarta-feira (02/09), porém, ainda poderão ser embarcados posteriormente e chegar ao mercado europeu semanas depois. A indústria brasileira está preparada para manter os protocolos exigidos pelo bloco durante o período de restrição. O setor já vinha demonstrando que os produtos destinados à Europa não recebiam antimicrobianos como promotores de crescimento e que havia controle sobre tratamentos terapêuticos incompatíveis com as regras europeias. Com isso, a indústria considera que possui condições de atender às exigências de certificação reforçada para os embarques destinados à União Europeia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.