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02/Sep/2026

Boi: rastreabilidade exige regularização e incentivos

Segundo estudo divulgado pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), em parceria com a Amigos da Terra - Amazônia Brasileira (AdT) e a Fundação Solidaridad, a expansão da rastreabilidade individual de bovinos no Brasil depende da combinação de regularização ambiental, assistência técnica, incentivos econômicos e acesso ao mercado formal. O trabalho avalia estratégias para ampliar a identificação individual dos animais e a requalificação comercial de produtores da cadeia bovina. O estudo “Estratégias Integradas para a Cadeia Pecuária Brasileira: Lições práticas sobre rastreabilidade individual e requalificação comercial para a cadeia bovina no Brasil” aponta que o avanço da identificação individual exige articulação entre governos, frigoríficos, organizações da sociedade civil, instituições de assistência técnica e parceiros locais. A formação de uma rede de apoio aos produtores e aos demais agentes envolvidos é considerada necessária para acelerar a implementação da rastreabilidade.

A avaliação tem como base dois projetos-piloto realizados no Pará e mostra que a adoção de uma única medida não é suficiente para ampliar a adesão dos pecuaristas. Os frigoríficos são apontados como atores estratégicos para ampliar a identificação dos animais, por meio da incorporação da rastreabilidade como requisito para seus fornecedores e da utilização de estruturas próprias, incluindo equipes de ESG e de originação. Um dos projetos-piloto, conduzido pela AdT, acompanhou 59 fornecedores de frigoríficos na identificação individual de 26 mil bovinos. A análise de escalabilidade indica que a replicação da estratégia pelos frigoríficos mais aptos poderia elevar a parcela de animais identificados no Pará de 0,2% em 2025 para 30,2% em 2030, alcançando cerca de 7,5 milhões de bovinos. O estudo estima ainda que uma estrutura mínima viável para um frigorífico de médio porte demandaria R$ 1,7 milhão por ano. Desse total, 86% seriam destinados à doação de kits e à concessão de incentivos diretos aos produtores.

A avaliação considera que a capacidade operacional já existente nos frigoríficos, combinada com assistência técnica em campo, pode acelerar a adesão dos pecuaristas à identificação individual dos animais. O segundo projeto-piloto, conduzido pela Fundação Solidaridad, avaliou os obstáculos à requalificação comercial de produtores com restrições ambientais no assentamento Tuerê, em Novo Repartimento (PA). Foram visitadas 96 propriedades. Inicialmente, 73 produtores recusaram a participação, 17 permaneceram indecisos e seis aderiram ao projeto. Posteriormente, com a oferta do programa Bônus Desbloqueia Já, voltado à regularização ambiental e ao desbloqueio das propriedades como fornecedoras legais de gado, e com a atuação presencial do Núcleo de Atendimento ao Produtor, outras sete adesões foram registradas. O levantamento identificou que a resistência à regularização ambiental estava relacionada principalmente ao tamanho do passivo ambiental.

Nas propriedades avaliadas, o passivo alcançava, em média, 29,2 hectares, equivalentes a cerca de 44% da área média dos imóveis. A Fundação Solidaridad identificou que a recomposição ambiental é percebida pelas famílias produtoras como uma redução imediata da área disponível para produção e, consequentemente, da renda. A assistência técnica procurou reduzir esse impacto por meio de medidas como intensificação sustentável da pecuária e implantação de sistemas agroflorestais com cacau. Essas alternativas permitem criar novas fontes de renda para os produtores que optarem pela recomposição florestal e pela consequente redução da área destinada às pastagens. As experiências realizadas no Pará indicam que a expansão da identificação individual precisa considerar as condições dos produtores e as características de cada território.

O estudo busca estabelecer caminhos para o avanço da política de identificação animal de forma integrada à regularização ambiental, à inclusão produtiva e à permanência de pequenos produtores no mercado formal. O documento recomenda a combinação de incentivos econômicos, financiamento compartilhado, assistência técnica contínua, apoio documental e acompanhamento em campo. A implementação também deve ser adaptada às características de cada região, considerando o perfil produtivo, a infraestrutura das propriedades e o nível de regularização ambiental. O Pará foi escolhido para os projetos por concentrar o segundo maior rebanho bovino do Brasil e apresentar desafios relacionados à regularização ambiental e à inclusão de pequenos produtores. Segundo o Imaflora, as experiências desenvolvidas no Estado oferecem referências para a implementação da agenda de rastreabilidade individual em outras regiões da pecuária brasileira. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.