02/Sep/2026
Joesley Batista, acionista controlador da JBS, teria se reunido com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval, em 20 de agosto, para defender a redução da tarifa de 26% sobre as importações de carne bovina brasileira. Segundo informações divulgadas pelo Wall Street Journal e posteriormente repercutidas pela Reuters, a argumentação apresentada foi de que o aumento da oferta de carne bovina brasileira no mercado norte-americano poderia contribuir para conter a alta dos preços ao consumidor nos Estados Unidos. No dia seguinte ao encontro, Trump anunciou um plano para ampliar temporariamente as importações de carne bovina estrangeira, com a expectativa de que os produtos importados fossem comercializados com desconto de 25% em relação aos preços de mercado.
Posteriormente, o governo norte-americano formalizou medida para ampliar em 300 mil toneladas a cota de importação de recortes de carne bovina magra com tarifa reduzida durante 90 dias, a partir de 1º de setembro. A proposta gerou reação de pecuaristas e críticas de parlamentares republicanos, diante do potencial impacto sobre a produção doméstica de carne bovina. O mercado norte-americano enfrenta oferta restrita de animais, com o rebanho em nível historicamente baixo, e preços elevados da carne bovina, fatores que levaram o governo a buscar aumento temporário da oferta por meio das importações. A atuação de Joesley Batista ocorre em um contexto de forte presença da JBS no mercado norte-americano. A Pilgrim’s Pride, controlada pela JBS, destinou US$ 5 milhões para a posse de Donald Trump.
Ao mesmo tempo, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos investiga as maiores processadoras de carne do País, incluindo a JBS, por possíveis práticas anticompetitivas no setor. A possibilidade de redução das tarifas sobre a carne brasileira pode ampliar a oferta do produto no mercado norte-americano e contribuir para reduzir a pressão sobre os preços domésticos. Para o Brasil, uma eventual flexibilização tarifária representa maior acesso ao mercado dos Estados Unidos e potencial ampliação dos embarques de carne bovina, enquanto, para os pecuaristas norte-americanos, o aumento das importações eleva a concorrência em um momento de oferta doméstica restrita. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.