31/Aug/2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou a elaboração de documentos legais para conceder a agricultores e pecuaristas norte-americanos o direito de processar a própria produção de alimentos. A medida busca ampliar a concorrência na indústria de abate e processamento de carnes e reduzir o domínio das quatro maiores empresas do setor nos Estados Unidos: JBS, National Beef, subsidiária da Marfrig, Tyson Foods e Cargill. Trump classificou a elevada concentração da indústria frigorífica como um problema para os produtores rurais e indicou que as determinações para permitir o processamento próprio por agricultores e pecuaristas deverão avançar de forma rápida. A iniciativa integra a estratégia da administração norte-americana de ampliar o acesso dos produtores a etapas da cadeia de processamento de alimentos.
A medida reforça o posicionamento recente de Trump em relação à flexibilização das normas regulatórias e sanitárias do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), com o objetivo de viabilizar o abate e o processamento local de animais por pequenos produtores. A estratégia está diretamente relacionada à tentativa de reduzir a concentração da indústria frigorífica e ampliar as alternativas de comercialização para os pecuaristas. A ofensiva contra as quatro maiores companhias do setor ganhou força em maio, quando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) iniciou investigações sobre suspeitas de formação de cartel e práticas anticoncorrenciais na cadeia de alimentos. Dados do USDA utilizados como referência pelo governo mostram que o índice de concentração no abate bovino nos Estados Unidos aumentou de 25% em 1977 para 85%.
A iniciativa também ocorre em paralelo às medidas adotadas para conter a alta dos preços da carne bovina no varejo norte-americano. O governo autorizou a importação, sem tarifas adicionais, de até 300 mil toneladas de carne bovina durante 90 dias, condicionada à exigência de repasse de desconto de 25% ao consumidor final. O conjunto de medidas combina estímulo à maior participação de produtores nas etapas de processamento, revisão de regras regulatórias e sanitárias, ações contra possíveis práticas anticoncorrenciais e ampliação temporária da oferta de carne bovina importada. O objetivo é aumentar a concorrência na cadeia, ampliar as opções de comercialização para os produtores e contribuir para reduzir a pressão sobre os preços da carne bovina no mercado norte-americano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.