31/Aug/2026
A possibilidade de suspensão temporária das exportações brasileiras de carnes para a União Europeia amplia a preocupação da indústria, que teme dificuldades de acesso a um mercado reconhecido pelas melhores remunerações. A nova lista de fornecedores de carnes e produtos de origem animal habilitados a exportar ao bloco, em conformidade com o regulamento europeu sobre antimicrobianos, exclui o Brasil e entra em vigor em 3 de setembro. O Brasil exporta cerca de US$ 1,8 bilhão por ano em proteínas para a UE e, caso a decisão seja mantida, os embarques aos países europeus devem apresentar retração a partir de setembro. Para frango e mel, a expectativa do governo e dos exportadores é de que o Brasil permaneça excluído da lista de fornecedores da União Europeia até meados de novembro. Para a carne bovina, a suspensão pode se estender até meados de 2028, em razão do período necessário para adaptação da cadeia às exigências europeias e do ciclo de vida mais longo dos bovinos.
Caso a suspensão temporária seja confirmada, o prejuízo potencial para o setor de frango pode alcançar cerca de US$ 243 milhões durante os mais de dois meses de provável embargo. O cálculo considera a média mensal de US$ 97,136 milhões exportada ao bloco neste ano. Para a carne bovina, o setor pode deixar de exportar US$ 1,828 bilhão entre setembro de 2026 e julho de 2028, também considerando a média dos embarques registrados neste ano. O impacto efetivo pode ser menor, pois diversos exportadores anteciparam embarques e concentraram vendas para os países europeus entre junho e agosto, em preparação para a possibilidade de suspensão. Na indústria avícola, a principal preocupação está concentrada no peito de frango, que representa 25% do peso e do valor do produto. A União Europeia é o principal destino do peito de frango brasileiro, e os exportadores avaliam que não existem canais imediatos suficientes para redirecionar os volumes que deixariam de ser destinados ao mercado europeu.
Para a indústria de carne bovina, um dos principais impactos seria a perda de acesso a um mercado com margens superiores às observadas em outros destinos. O preço médio pago pela União Europeia é cerca de US$ 3 mil por tonelada superior ao praticado no mercado internacional. Executivos de grandes frigoríficos avaliam que a própria necessidade europeia de proteína pode levar o bloco a rever a exclusão brasileira antes de julho ou agosto de 2028, período em que estaria concluído o primeiro ciclo de animais submetidos integralmente ao novo protocolo de controle de antimicrobianos. A menor disponibilidade de carne nos Estados Unidos e na Austrália, importantes fornecedores internacionais, somada à produção interna insuficiente da União Europeia, pode elevar os preços europeus e criar pressão econômica pela retomada das compras brasileiras. Os exportadores de carne bovina defendem a adoção de um regime de transição que permita comprovar gradualmente o cumprimento do protocolo de controle do uso de antimicrobianos nas proteínas destinadas ao mercado europeu.
A indústria argumenta que o Brasil já instituiu os procedimentos exigidos pela UE e busca a manutenção do fluxo comercial enquanto a comprovação integral das novas regras é concluída. O governo brasileiro já havia solicitado anteriormente à União Europeia a adoção de um regime de transição, mas o pedido foi rejeitado pelo bloco. A indústria entende que a implementação efetiva dos novos protocolos no Brasil reforça agora o pleito e solicitou ao Ministério da Agricultura que intensifique a negociação. As exigências europeias envolvem a segregação da produção e a necessidade de o governo brasileiro assegurar o cumprimento de protocolos privados relacionados ao uso de antimicrobianos, principalmente antibióticos utilizados como promotores de crescimento. Na prática, produtores e indústria precisam garantir a não utilização dos produtos especificados pela regulamentação europeia, enquanto o governo deve assegurar a fiscalização e o cumprimento das normas pelo setor privado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.