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28/Aug/2026

Boi: EUA amplia as importações de cortes magros

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na quarta-feira (26/08) uma proclamação que amplia temporariamente a quantidade de cortes magros de carne bovina que poderá ser importada sem cobrança de tarifa extra fora da cota. A medida terá duração de 90 dias, a partir de 1º de setembro de 2026, e permitirá a entrada de até 100 mil toneladas por mês. A ampliação das importações tem como objetivo aumentar a oferta e conter os preços da carne moída para os consumidores dos Estados Unidos. A medida é restrita a cortes magros destinados à mistura com carne bovina norte-americana na produção de carne moída e prevê um incentivo para que a carne importada seja comercializada com desconto de 25% em relação ao preço vigente de importação. Com a iniciativa, o governo dos Estados Unidos busca maximizar a redução de custos para os consumidores sem prejudicar os pecuaristas do país, ao mesmo tempo em que cria espaço para a recomposição do rebanho bovino doméstico.

A medida não altera os compromissos comerciais relacionados à carne bovina de países que possuem acordos de livre comércio com os Estados Unidos e não se aplica a países que já contam com cotas específicas para suas exportações de carne bovina ao mercado norte-americano. A decisão ocorre em um cenário de redução do rebanho bovino dos Estados Unidos, influenciada por fatores como as restrições à importação de animais vivos do México, condições de seca nas regiões pecuárias e menor disponibilidade de pastagens e alimentação em decorrência de incêndios florestais. Diante desse quadro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê que a produção de carne bovina do país em 2026 ficará cerca de 4% abaixo dos níveis de 2025, ampliando a pressão sobre a oferta e os preços domésticos. Para o Insper Agro Global, a ampliação temporária da cota de importação de carne bovina pelos Estados Unidos representa uma resposta à combinação de baixa produção doméstica e pressão inflacionária sobre a proteína.

O movimento evidencia a perda de força das restrições comerciais quando passam a comprometer a segurança alimentar e o controle dos preços. A origem do problema está na queda estrutural da produção de carne bovina dos Estados Unidos, em um momento em que o consumo permanece elevado. O mesmo movimento é observado em outros países desenvolvidos e grandes mercados consumidores, como Europa e China, onde a produção também recuou, enquanto o consumo permanece relativamente estável. A situação norte-americana ganha relevância porque ocorre em um momento de redução do rebanho e de pressão dos preços da carne bovina sobre a inflação. A ampliação da cota adicional está diretamente relacionada à necessidade de recompor a oferta doméstica por meio de importações.

O movimento reforça a importância da América do Sul no mercado internacional de carne bovina. Enquanto os Estados Unidos e outros países do Hemisfério Norte enfrentam dificuldades para recompor a produção e os rebanhos, a oferta sul-americana apresenta trajetória de crescimento, ampliando a capacidade da região de atender à demanda global. A medida norte-americana também evidencia que questões de segurança alimentar e inflação podem se sobrepor a políticas de restrição comercial. A necessidade de garantir oferta e conter a alta dos preços tende a abrir oportunidades adicionais para países sul-americanos exportadores de carne bovina. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.