28/Aug/2026
Estudo conduzido pela Universidade Federal de Goiás (UFG), em parceria com a Inpasa, avalia a utilização de DDGS de sorgo puro na alimentação de bovinos de corte confinados. A pesquisa testa a substituição gradual do milho pelo coproduto e acompanha os efeitos sobre consumo de ração, ganho de peso, conversão alimentar, aproveitamento de nutrientes e rendimento de carcaça. Segundo a Inpasa, trata-se do primeiro estudo científico realizado no Brasil dedicado exclusivamente à utilização de DDGS, ou Grãos Secos de Destilaria com Solúveis, produzido a partir de sorgo puro na alimentação de bovinos de corte em confinamento. O experimento é conduzido no confinamento experimental da UFG, pelo Laboratório de Pesquisa em Zootecnia, e envolve 200 bovinos Nelore distribuídos em 25 baias. Os bovinos estão na fase de terminação intensiva, etapa final do ciclo produtivo destinada ao ganho de peso e à deposição de gordura na carcaça. As dietas utilizadas no experimento contêm milho e 8,5% de bagaço de cana-de-açúcar como fonte de fibra.
O milho é substituído gradualmente pelo DDGS de sorgo comercializado pela Inpasa sob a marca FortiPro, em proporções que variam de zero a 50% da matéria seca. Entre os indicadores avaliados estão ganho médio diário de peso, conversão alimentar, consumo de ração, aproveitamento dos nutrientes e rendimento final da carcaça. Os primeiros resultados apontam aceitação do ingrediente pelos animais mesmo nos níveis mais elevados de inclusão. Os bovinos apresentaram adaptação ao DDGS de sorgo em menos de uma semana, com destaque para a segurança digestiva e a rápida aceitação do produto. Mesmo quando o DDGS de sorgo representa 50% da dieta avaliada, não foram observadas quedas bruscas no consumo associadas à acidez do trato digestivo, um dos pontos de atenção em sistemas de alimentação intensiva. Os dados de consumo obtidos até esta etapa também indicam desempenho semelhante ao observado com o DDGS de milho, ingrediente já utilizado na alimentação animal.
Os resultados definitivos de desempenho e eficiência, entretanto, dependem da conclusão do experimento e da análise estatística dos dados. O DDGS é um coproduto gerado durante a produção de etanol a partir de grãos e pode ser utilizado como ingrediente na alimentação animal. A pesquisa da UFG concentra-se especificamente no produto originado do processamento exclusivo de sorgo. A característica diferencia o estudo de parte dos mercados internacionais, nos quais o DDGS pode ser comercializado como uma mistura de diferentes cereais. No experimento brasileiro, o ingrediente avaliado é proveniente do processamento puro do sorgo. A pesquisa também aproxima duas cadeias relevantes do agronegócio do Centro-Oeste: a produção de sorgo e a pecuária de corte. Goiás é apontado pela empresa como o maior produtor brasileiro do cereal. O sorgo apresenta tolerância ao déficit hídrico, característica que favorece sua utilização em diferentes condições de produção.
A transformação do grão em etanol também gera coprodutos que podem retornar à cadeia agropecuária por meio da alimentação animal, ampliando a integração entre produção de grãos, indústria de biocombustíveis e pecuária. A próxima etapa do estudo ocorrerá após o encerramento do ciclo de confinamento e o abate dos animais. Os pesquisadores vão coletar e analisar informações sobre rendimento de carcaça, espessura de gordura e parâmetros de digestibilidade. Os dados serão submetidos a processamento estatístico para determinar os efeitos dos diferentes níveis de inclusão do DDGS de sorgo sobre o desempenho dos bovinos. Embora o experimento utilize bovinos Nelore, os resultados também deverão servir de referência para estudos e aplicações envolvendo bovinos cruzados, como Nelore-Angus. A parceria entre a UFG e a Inpasa prevê ainda novas pesquisas sobre a utilização do DDGS de sorgo fora do sistema de confinamento. Entre as próximas etapas está a avaliação do coproduto na suplementação de bovinos criados a pasto durante a fase de recria, considerando sua combinação com pastagens tropicais e diferentes estratégias de suplementação. Fonte: Canal Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.