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24/Aug/2026

Boi: menor rebanho não limita exportação do Brasil

Conforme relatório do Conselho de Desenvolvimento da Agricultura e Horticultura do Reino Unido (AHDB), o rebanho bovino do Brasil deve recuar 4% em 2026, para 225 milhões de cabeças, configurando o terceiro ano consecutivo de queda do ciclo pecuário. A menor disponibilidade, contudo, não impediu o avanço das exportações de carne bovina no primeiro semestre. Com base em dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e de comércio exterior, o AHDB estima que as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram recorde de 1,7 milhão de toneladas entre janeiro e junho, alta de 15% ante igual período de 2025.

O movimento ocorre diante da expectativa de suspensão, pela União Europeia, das importações de produtos de origem animal do Brasil a partir de 3 de setembro de 2026, em razão de divergências relacionadas às exigências sobre o uso de antimicrobianos. O cenário acrescenta incertezas aos fluxos comerciais, mas não impediu o crescimento das vendas externas brasileiras no primeiro semestre. O levantamento aponta que o rebanho inicial estimado pelo USDA para o Brasil em 2026 é de 178,2 milhões de cabeças, ante 186,9 milhões no pico do ciclo, em 2025. A produção de bezerros foi projetada em 47,2 milhões de cabeças, mantendo-se estável.

A oferta mais restrita elevou os preços do bezerro em 27% e do boi gordo em 19% ao longo de 2025. Em meados de agosto, a cotação do boi gordo em equivalente de carcaça no Brasil alcançou R$ 23,29 por Kg, alta de 16% ante igual período de 2025. Apesar do avanço, o valor permanece mais de R$ 14,20, por Kg abaixo da média europeia. A menor oferta de bovinos ocorre em um ambiente de juros elevados, tarifas e câmbio desvalorizado, fatores econômicos que continuam limitando a capacidade de investimento dos pecuaristas brasileiros. No primeiro semestre, a carne bovina congelada manteve a liderança das exportações, com participação de 81% do volume total e embarques de 1,3 milhão de toneladas, alta de 18% na comparação anual.

A China permaneceu como principal destino, absorvendo 47% das vendas externas brasileiras, equivalentes a 774 mil toneladas, aumento de 23% ante os primeiros seis meses de 2025. A aproximação do limite da cota de salvaguarda chinesa, entretanto, provocou redução de 48% nos embarques para a China em julho ante junho. Como consequência, as exportações totais de carne bovina do Brasil recuaram 17% no mês, enquanto o redirecionamento de volumes para outros mercados avançou 13%. Os Estados Unidos permaneceram como segundo maior comprador, com importações de 203 mil toneladas, alta de 13%. As vendas para a União Europeia também avançaram de forma significativa.

As importações de carne bovina brasileira pelo bloco cresceram 56% no primeiro semestre, para 53 mil toneladas. O AHDB atribui parte desse crescimento à antecipação de compras por importadores europeus antes da entrada em vigor da suspensão sanitária prevista para 3 de setembro de 2026. No Reino Unido, a Agência de Saúde Animal e Vegetal da Grã-Bretanha (APHA) informou que não aplicará restrições imediatas à carne bovina brasileira em setembro. O órgão iniciará uma avaliação técnica própria, com duração estimada de aproximadamente seis meses. Durante esse período, os fluxos de importação continuarão sendo monitorados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.