ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

24/Aug/2026

Carnes: cenário mais favorável a frigoríficos em 2027

Segundo o Citi, o cenário para os frigoríficos brasileiros é mais favorável para 2027, mas os resultados do segundo trimestre de 2026 ainda não indicam uma inflexão consistente. A recuperação da carne bovina nos Estados Unidos, o desempenho das operações de aves no Brasil e uma possível racionalização da capacidade industrial formam uma configuração mais favorável para o próximo ano, embora a alavancagem das companhias permaneça como ponto de atenção. O segundo trimestre de 2026 apresentou desempenho limitado, enquanto as condições para um 2027 melhor ficaram mais claras. Nesse contexto, a evolução das perspectivas ainda não foi incorporada integralmente aos resultados trimestrais, reduzindo a visibilidade de uma recuperação estrutural no curto prazo. Nas operações de carne bovina nos Estados Unidos, a JBS registrou melhora da margem, que passou para -1,3% no segundo trimestre, ante nível considerado muito fraco no primeiro trimestre.

O avanço é considerado positivo, mas ainda insuficiente para caracterizar uma inflexão. A racionalização da capacidade da indústria norte-americana e as questões relacionadas à fronteira com o México tornam mais provável um cenário de recuperação em 2027, embora a possibilidade de a operação atingir o ponto de equilíbrio permaneça incerta. Nesse contexto, a JBS apresenta a exposição mais direta a uma eventual recuperação da carne bovina nos Estados Unidos. No resultado consolidado, a companhia registrou receita 4% acima do consenso no segundo trimestre, enquanto o Ebitda ficou 1% acima das estimativas, em linha com o consenso. A margem Ebitda, porém, ficou 20 pontos-base abaixo do esperado. A melhora da operação norte-americana foi parcialmente compensada por outros fatores, enquanto a alavancagem líquida permaneceu acima de 3 vezes.

Entre as companhias brasileiras, as operações de aves foram o principal destaque positivo. A BRF apresentou margem Ebitda de 16,8% no segundo trimestre, alta de 560 pontos-base ante igual período de 2025. A Seara, da JBS, registrou margem de 14,9%. A combinação entre desempenho operacional e suporte ao crescimento da receita coloca a MBRF em posição de maior sustentação dos resultados atuais. A companhia, entretanto, também registrou pressão sobre a margem da operação de carne bovina na América do Sul, que ficou em 8,9%, queda de 1.100 pontos-base ante o trimestre anterior. O principal risco para a perspectiva de 2027 está relacionado às condições climáticas. Embora o El Niño ainda esteja relativamente distante, um eventual choque na oferta de grãos poderia elevar os custos de alimentação animal e comprometer a trajetória projetada para as margens das operações de aves no próximo ano.

Na Minerva, o destaque é a menor pressão sobre os descontos de recebíveis, mas identifica-se desaceleração dos volumes exportados. A receita da companhia ficou 2% abaixo do consenso, enquanto o Ebitda ficou 3% aquém das estimativas. A alavancagem permanece como ponto de atenção para JBS, MBRF e Minerva. Na JBS, a dívida líquida continua acima de 3 vezes o Ebitda. Na MBRF, o Citi recomenda monitoramento do nível de capital e da alavancagem. O cenário de 2027 apresenta melhora potencial para o setor, mas a combinação entre recuperação das operações de carne bovina nos Estados Unidos, desempenho das aves, custos de alimentação e estrutura de capital ainda será determinante para confirmar uma recuperação mais consistente. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.