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21/Aug/2026

Boi: MPF identifica inconformidades na Amazônia

O Ministério Público Federal (MPF) identificou índice de 8,2% de inconformidade nas auditorias contratadas do terceiro ciclo unificado do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne na Amazônia Legal. O percentual supera o limite de 4% considerado satisfatório pelo órgão e resulta da análise de compras de gado realizadas entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024 no Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins. Os resultados apresentam diferenças expressivas entre os frigoríficos e entre os Estados. No Pará, a taxa de inconformidade entre as empresas que apresentaram auditoria foi de 5,4%, com índices individuais variando de zero a 91,6%. A maior taxa foi registrada pela 163 Frigomarca, com 15.330 bovinos inconformes em uma amostra de 16.743. Entre as companhias de capital aberto, a JBS apresentou índice de 2,3%, com 1.980 bovinos considerados inconformes em uma amostra de 84.313. Agroexport, Companhia Sul Americana (CSAP), Frigol, Ativo Alimentos/Mafrinorte, Masterboi, Frigorífico Rio Maria e Frigorífico Valêncio registraram 100% de conformidade nas amostras auditadas no Estado.

Em Rondônia, a taxa de inconformidade entre as empresas que apresentaram auditoria alcançou 16,7%. A Frigoraça apresentou o maior índice, de 60,5%, seguida pela BMG, com 42,9%, e pela Distriboi, com 28,9%. Entre as companhias de capital aberto, a JBS registrou 1,8% de inconformidade, enquanto Marfrig e Minerva não apresentaram inconformidades nas amostras auditadas. No Acre, apenas dois dos 13 frigoríficos convocados concluíram a auditoria, e a taxa de inconformidade entre as empresas auditadas chegou a 24,1%. O Frigorífico 3 Irmãos apresentou índice de 83,4%, enquanto a JBS registrou 0,3%, equivalente a 73 bovinos inconformes em uma amostra de 21.032 cabeças. Em Mato Grosso, 13 dos 14 frigoríficos convocados concluíram a auditoria, abrangendo 82% do volume de gado destinado a abate ou exportação no Estado. A taxa de inconformidade na amostra auditada foi de 4,6%. A JBS apresentou índice de 2,7%, enquanto Marfrig e Minerva tiveram 100% de conformidade.

Entre os demais frigoríficos, BMG Foods registrou 37% de inconformidade; Pantanal, 16,8%; Bombonatto/FrigoBom, 13,2%; e Agra Agroindustrial, 9,8%. Naturafrig apresentou 0,1%, enquanto Colíder, Carnes Boi Branco e Vale Grande não registraram inconformidades. Em Tocantins, cinco dos sete frigoríficos convocados foram auditados, cobrindo 60,3% do volume de gado destinado a abate ou exportação no Estado. A taxa de inconformidade foi de 0,2%. A JBS apresentou índice de 1,3%, enquanto Minerva, Masterboi, Cooperfrigu e Plena tiveram 100% de conformidade nas amostras analisadas. Atualmente, o monitoramento no Estado considera apenas fornecedores cujas propriedades estejam total ou parcialmente localizadas na Amazônia. No conjunto das auditorias contratadas, foram analisados 1,78 milhão de bovinos. Desse total, 635.796 não apresentaram evidências de irregularidades, 1,01 milhão tiveram evidências posteriormente justificadas e 133.751 permaneceram com evidências de irregularidades, resultando no índice final de 8,2%.

Nas análises automáticas, o índice de inconformidade alcançou 64,8%. Uma das principais novidades do terceiro ciclo foi a consolidação da automação das análises socioambientais por meio do sistema de pré-auditoria Mappia-TAC. A ferramenta cruza dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e da Guia de Trânsito Animal (GTA), permitindo identificar automaticamente possíveis irregularidades e direcionar o trabalho dos auditores independentes. O sistema busca ampliar a capacidade de verificação da origem do gado e impedir que a cadeia produtiva seja abastecida por animais provenientes de áreas com irregularidades, incluindo desmatamento ilegal, grilagem, trabalho escravo, invasões de unidades de conservação e terras indígenas e quilombolas e problemas de regularização ambiental. A partir dos resultados, o MPF prevê medidas contra empresas que operam sem assinar o TAC ou sem realizar auditorias, além da cobrança judicial das obrigações de frigoríficos signatários que não apresentaram os respectivos relatórios.

O MPF também pretende orientar a fiscalização ambiental em relação aos frigoríficos não auditados. Nos próximos ciclos, o MPF pretende ampliar o cruzamento automático de dados para fornecedores indiretos de gado, permitindo identificar inconsistências ao longo de toda a cadeia de suprimentos, além de iniciar análises de conformidade no varejo comercializador de carne bovina na Amazônia Legal. A JBS informou que registrou 97,62% de conformidade em suas aquisições de bovinos na Amazônia no terceiro ciclo unificado de auditorias do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne, conduzido pelo Ministério Público Federal (MPF). Segundo a companhia, as inconformidades "residuais" se concentraram exclusivamente em aspectos documentais. “Nos critérios socioambientais avaliados, a JBS registrou zero não conformidade”, informou a empresa. Os resultados do terceiro ciclo consideraram compras de gado realizadas entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024 em seis Estados da Amazônia Legal. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.