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21/Aug/2026

Boi: exportadores pedem prazo de transição para UE

Exportadores brasileiros de carne bovina defendem a adoção de um regime de transição para a comprovação do protocolo de controle de antimicrobianos exigido pela União Europeia. O novo protocolo, homologado em julho pelo Ministério da Agricultura, já está em vigor e estabelece os procedimentos sanitários para comprovar a não utilização de antimicrobianos na produção animal destinada ao mercado europeu. Entretanto, como o ciclo completo de produção de um bovino pode levar de 24 a 36 meses, a disponibilidade de bovinos que tenham cumprido integralmente o protocolo ocorrerá apenas a partir de cerca de dois anos. A União Europeia exige que a comprovação da não utilização dos insumos seja feita desde o nascimento do bovino.

O Brasil busca, portanto, a manutenção das exportações durante o período de adaptação, enquanto os bovinos submetidos ao novo protocolo completam o ciclo produtivo. A indústria considera que a implementação do procedimento já em andamento reforça o pedido de prazo adicional e de continuidade do fornecimento ao mercado europeu. A nova lista de fornecedores de proteínas de origem animal habilitados a exportar para a União Europeia entra em vigor em 3 de setembro. O Brasil foi retirado da relação em maio e, desde então, o governo brasileiro e os exportadores negociam a reversão da medida. O bloco exige garantias adicionais quanto ao cumprimento dos requisitos relacionados ao controle de antimicrobianos na produção destinada ao mercado europeu.

A indústria avalia que o novo protocolo brasileiro permite assegurar a segregação dos bovinos destinados à União Europeia e demonstrar o cumprimento das exigências do bloco. O setor, contudo, considera necessário que a avaliação europeia ocorra de forma progressiva, sem interrupção das exportações até a conclusão do primeiro ciclo completo de produção sob as novas regras. O governo brasileiro já havia solicitado anteriormente a adoção de um regime de transição, mas o pedido foi rejeitado pela União Europeia. A indicação atual é de que a União Europeia avaliará o cumprimento integral do protocolo somente após a conclusão de um ciclo completo desde o nascimento do bovino, o que representa pelo menos dois anos no caso da carne bovina.

Nesse intervalo, o Brasil permaneceria fora da lista de fornecedores habilitados. A indústria considera que essa exigência cria insegurança para o setor e questiona a diferenciação no tratamento sanitário em relação a outros fornecedores. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) também avalia que a exclusão prolongada do Brasil pode gerar dificuldades para o abastecimento europeu de carne bovina, diante da insuficiência da produção do bloco para atender integralmente à demanda. A União Europeia representou 5% tanto em volume quanto em valor das exportações brasileiras de carne bovina no ano passado, com embarques de US$ 1,049 bilhão. A possível suspensão temporária das vendas para a União Europeia ocorre em um momento de menor demanda externa e aumenta a complexidade para a indústria brasileira de carnes.

Além da retirada do Brasil da lista de fornecedores europeus, as exportações de carne bovina para a China enfrentam redução em razão da salvaguarda adotada pelo país asiático. A combinação dos dois fatores ocorre após um ciclo de expansão da produção pecuária, aumento da produtividade, investimentos na capacidade industrial e abertura de novos mercados. A redução da demanda externa já se reflete nas estratégias operacionais dos frigoríficos. Empresas do setor vêm adotando férias coletivas, redução de turnos, programas de desligamento e interrupção de operações em determinadas unidades, em um processo de adequação da produção à menor disponibilidade de mercados.

A situação é agravada pelo encerramento do preenchimento da cota de 1,106 milhão de toneladas isentas da sobretaxa de 55% destinada pela China ao Brasil e pela extensão da salvaguarda chinesa até 2028. Nesse cenário, o setor defende a aceleração da abertura de novos mercados para a carne bovina brasileira, com destaque para Japão e Coreia do Sul, além da ampliação das vendas de miúdos para a China. A estratégia busca reduzir a dependência dos principais destinos atuais, embora os novos mercados não tenham, neste momento, capacidade para compensar integralmente a redução dos embarques para China e União Europeia. A indústria também avalia medidas de apoio, incluindo crédito, em articulação com o governo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.