21/Aug/2026
O mercado independente de suínos em 2026 (até julho) tem sido marcado por oferta elevada, demanda interna pela carne enfraquecida e, consequentemente, preços baixos, resultando em prejuízos e até no encerramento das atividades de alguns produtores. Esse cenário é bastante semelhante ao observado em 2022. Neste ano, além da baixa demanda, há sobreoferta de suínos e, consequentemente, de carne suína, o que tem pressionado as cotações do suíno vivo de forma expressiva. O patamar de comercialização do suíno vivo em julho foi o terceiro menor de toda a série histórica na região produtora de São Paulo (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), a R$ 5,18 por Kg. Para efeito de comparação, o pior momento do mercado em 2022, nessa mesma região, foi observado em fevereiro, quando a média era de R$ 5,97 por Kg, em valores reais (deflacionados pelo IGP-DI de jul/26).
Em 2022, a demanda pela carne suína na ponta final do mercado também estava enfraquecida, o que reduziu as aquisições de lotes de suínos vivos. Além disso, as cotações dos principais insumos utilizados na suinocultura (farelo de soja e milho) registraram altas expressivas, afetando a rentabilidade do setor. O pior momento de 2022 foi registrado em março, quando os preços do milho e do farelo de soja alcançaram as máximas de R$ 105,03 por saca de 60 Kg e de R$ 3.130,27 por tonelada, em termos reais (deflacionamento pelo IGP-DI de julho de 2026), ambos negociados em Campinas (SP). Nesse sentido, o mercado em 2026 apresenta melhor cenário que o de 2022: as cotações médias de julho estão em R$ 64,84 por saca de 60 Kg de milho e R$ 1.739,57 por tonelada de farelo de soja. O cenário atual permite, portanto, um pequeno alívio, com relações de troca mais favoráveis ao suinocultor neste ano: 4,8 Kg de milho e 2,98 Kg de farelo em julho/2026 por 1 Kg de suíno vivo, contra 3,56 Kg do cereal e 1,99 Kg do derivado de soja em março/2022, também em termos reais.
No entanto, de modo geral, a suinocultura independente tem visto sua margem e rentabilidade recuar de forma acentuada este ano. O patamar atual de negociações do vivo implica prejuízos ao produtor, de R$ 1,50 a R$ 2,00 por Kg de suíno vivo comercializado, em média, números que podem variar conforme o Estado e o tamanho da produção. Com isso, muitos suinocultores têm relatado que devem deixar a atividade, seja de forma temporária ou definitiva. Um outro fator que pressiona as margens do produtor em 2026 é a taxa de juros. Nos últimos dois anos, o setor investiu na ampliação de alojamentos de matrizes, por conta do bom momento em que o mercado estava; porém, os maiores patamares de juros desde o ano passado aumentaram os custos de capital. Levantamento da Central de Inteligência de Suínos e Aves da Embrapa relatou que, no Paraná, 7,25% dos custos de produção são de custos de capital neste ano, contra 3,75% em 2022.
Com a demanda doméstica insuficiente para o escoamento de toda a produção de carne suína em 2026, o setor tem aumentado os embarques: entre janeiro e março (dados mais recentes) deste ano, 27% de toda a produção foi destinada ao mercado internacional, acima dos 21% observados em todo o ano de 2022, segundo informações da Secex e do IBGE. No entanto, esse acréscimo não tem sido suficiente para alavancar as cotações internas do produto. Por fim, o cenário de baixa nas cotações do suíno vivo também tem impactado o mercado atacadista da carne. Em São Paulo, no atacado, as cotações da carcaça especial suína chegaram a R$ 8,41 por Kg em julho, valor 26,7% abaixo da média real (valores deflacionados pelo IPCA de jul/26) de R$ 11,47 por Kg observada em todo o ano de 2022. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.