19/Aug/2026
O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) voltou a defender a adoção de protocolos de segregação das cadeias produtivas para que o Brasil atenda às exigências da União Europeia (UE) sobre o uso de determinados antimicrobianos veterinários sem estender as restrições a toda a pecuária. Segundo estimativas apresentadas pela entidade, o uso de ionóforos, como a monensina, pode gerar ganho líquido de R$ 120 por animal em um ciclo médio de 100 dias de confinamento, além de proporcionar ganho adicional de aproximadamente 1 arroba por animal ao ano. As exigências europeias entram em vigor em 3 de setembro e determinam que países exportadores comprovem conformidade com as restrições do bloco relativas ao uso de determinados antimicrobianos como condição para continuar fornecendo produtos de origem animal.
Nesse contexto, o Sindan propõe separar a produção destinada à União Europeia daquela direcionada ao mercado interno e a outros mercados, com rastreabilidade e mecanismos de controle passíveis de auditoria. A segregação permitiria atender às regras europeias sem restringir de forma generalizada tecnologias autorizadas pela legislação brasileira e utilizadas em outras cadeias exportadoras. Entre os efeitos atribuídos à monensina estão redução de 15 a 20 dias no ciclo de terminação, melhora de 4% a 10% na conversão alimentar, aumento de 1% a 1,5% no rendimento de carcaça e redução de 5% a 8% no custo da arroba produzida. O Sindan também relaciona o uso da tecnologia a ganhos ambientais. De acordo com estimativas da entidade, a monensina pode reduzir em 20% a 30% a produção de metano entérico por unidade de ganho de peso.
Em escala nacional, esse efeito representaria cerca de 8 milhões de toneladas de CO2 equivalente evitadas por ano. Entre as tecnologias defendidas pelo sindicato estão os ionóforos monensina, salinomicina, lasalocida e narasina. Segundo o Sindan, essas moléculas não são autorizadas para uso em medicina humana e são classificadas como não medicamente importantes pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A monensina é utilizada há aproximadamente 50 anos na bovinocultura brasileira e, conforme a entidade, conta com mais de 6 mil estudos científicos publicados e revisados por pares. O Sindan cita ainda redução de até seis vezes na mortalidade por coccidiose em sistemas de confinamento, além de efeitos positivos sobre a saúde intestinal e auxílio na prevenção da acidose lática. A entidade defende que a manutenção dessas tecnologias fora das cadeias destinadas ao mercado europeu contribui para preservar a eficiência produtiva e a competitividade da pecuária brasileira.
A proposta de segregação, segundo o sindicato, encontra precedentes em programas conduzidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para atender exigências específicas de mercados importadores. O modelo também é adotado, de acordo com o Sindan, por Austrália, Argentina, Canadá e Estados Unidos, que utilizam mecanismos de segregação e rotulagem para cumprir requisitos específicos sem banir os ionóforos de suas cadeias produtivas. Em paralelo, o Sindan trabalha com associações e empresas exportadoras na orientação de produtores sobre quais moléculas e finalidades de uso continuam permitidas nas propriedades que abastecem a União Europeia. A entidade também atua junto ao Ministério da Agricultura na adequação de regulamentos e na harmonização dos conceitos relacionados às novas exigências. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.