19/Aug/2026
O governo da Coreia do Sul conclui em 20 de agosto a auditoria técnica do sistema sanitário brasileiro para avaliar a abertura de mercado à carne bovina do Brasil. A inspeção foi anunciada pelos dois países durante a visita do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, ao Brasil no fim de julho e teve início uma semana antes. A auditoria é considerada uma etapa fundamental para o avanço do processo de abertura do mercado. Após a visita presidencial ao Brasil, a Coreia do Sul retomou a realização da vistoria que havia sido adiada e comunicada ao governo brasileiro no início de maio. A retomada ocorreu em um contexto de aproximação da Coreia do Sul com o Mercosul e de busca por redução da dependência do mercado norte-americano em meio à elevação das tarifas comerciais. A carne bovina é considerada uma prioridade brasileira nas negociações relacionadas ao potencial acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul, e a retomada da auditoria representa um avanço político nas tratativas bilaterais.
A indústria exportadora e o governo brasileiro mantêm expectativa positiva quanto ao avanço do processo durante a auditoria. Apesar das sinalizações favoráveis, a perspectiva é de que a abertura formal do mercado sul-coreano não seja concluída ainda em 2026 em razão das etapas regulatórias que permanecem após a inspeção. A auditoria é conduzida pela Agência de Quarentena Animal e Vegetal (APQA), vinculada ao Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais da Coreia do Sul (Mafra, na sigla em inglês). O roteiro inclui visita a um frigorífico em Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, à Superintendência Federal da Agricultura e Pecuária em Mato Grosso do Sul, à Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal do Estado, a uma fazenda produtora e a uma fábrica de ração, também em Mato Grosso do Sul.
A inspeção prossegue pelo Porto de Santos (SP) e pelo Laboratório de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, em Recife (PE). A conclusão da auditoria ocorre em reuniões técnicas na Superintendência Federal da Agricultura em São Paulo. A auditoria técnica do sistema sanitário brasileiro é considerada a principal etapa para a análise da abertura do mercado à carne bovina nacional. Após a inspeção, o processo passa à fase documental, com a autoridade sul-coreana elaborando relatório sobre a aptidão do Brasil para exportar carne bovina. Posteriormente, o processo depende da validação pelo Parlamento da Coreia do Sul. O Brasil negocia a abertura do mercado sul-coreano para a carne bovina há 20 anos, com as tratativas oficiais bilaterais iniciadas em 2008. A Coreia do Sul é um dos principais mercados importadores da proteína bovina e adquiriu cerca de 500 mil toneladas em 2025, equivalente a aproximadamente 10% do mercado mundial.
A autorização para exportação ao país asiático está entre as prioridades da indústria brasileira em 2026, em meio às restrições no mercado chinês. A abertura do mercado sul-coreano para a carne bovina brasileira esteve entre os principais temas da agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante missão à Coreia do Sul em fevereiro deste ano. Na ocasião, o governo sul-coreano assumiu, pela primeira vez, o compromisso de realizar a auditoria até setembro de 2026. O compromisso político para a realização da auditoria sanitária foi estabelecido na agenda bilateral durante a visita de Lula a Seul. Os dois países anunciaram um plano de ação para estreitar as relações bilaterais, enquanto o governo brasileiro reforçou a pressão pela abertura do mercado sul-coreano à carne bovina nacional. Posteriormente, o Mafra havia informado que as inspeções técnicas previstas para 2026 seriam concentradas em temas agrícolas.
A retomada da auditoria amplia o componente político das negociações. As autoridades sul-coreanas já realizaram uma auditoria no sistema sanitário brasileiro em meados de 2023, conduzida pelo Ministério da Segurança Alimentar e Farmacêutica (MFDS), com foco em saúde pública. A segunda vistoria pelo Mafra, voltada à saúde animal, permanecia pendente. Além da auditoria do Mafra, as etapas restantes para a autorização das exportações incluem a conclusão da análise de risco pela Coreia do Sul, a retirada formal da proibição, a deliberação pela Assembleia Nacional, considerada uma etapa sensível do ponto de vista político, a elaboração do certificado sanitário e a habilitação das plantas brasileiras. O prazo médio para a conclusão do processo é de três a quatro anos, considerando que, na Coreia do Sul, eventual acordo sanitário depende da aprovação do Parlamento. A autorização para a entrada de carne da França e da Irlanda do Norte, por exemplo, levou dois anos.
Representantes do setor exportador avaliam que a atuação direta do presidente sul-coreano pode contribuir para acelerar o trâmite. O cenário de abastecimento global de carne também passou por mudanças, especialmente diante da menor produção dos Estados Unidos em 20 anos. Durante a auditoria, a autoridade sanitária sul-coreana também avalia a ampliação das importações de carne suína proveniente de todo o território brasileiro. Atualmente, Santa Catarina, um dos primeiros Estados a obter reconhecimento de livre de febre aftosa sem vacinação, é o único Estado brasileiro autorizado a exportar carne suína para a Coreia do Sul. A expectativa é de que a Coreia do Sul aprove até meados de outubro a exportação de carne suína também proveniente do Paraná e do Rio Grande do Sul, ampliando a participação brasileira nesse mercado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.