19/Aug/2026
Imagens de satélite da Nasa mostram redução significativa na concentração de fitoplâncton em parte do Pacífico equatorial em junho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, quando as condições climáticas eram neutras. A alteração está associada ao avanço do El Niño e já indica impactos sobre a disponibilidade de nutrientes e a dinâmica da vida marinha no Oceano Pacífico. Os registros foram obtidos pelo Instrumento de Cor do Oceano (OCI), instalado no satélite PACE (Plâncton, Aerossol, Nuvem, Ecossistema Oceânico), da Nasa. Os mapas comparam as concentrações de clorofila em junho de 2025 e junho de 2026. A clorofila é um pigmento presente na maioria do fitoplâncton e serve como indicador da abundância desses organismos. A diferença mais evidente aparece no Pacífico central, na região do Equador e ao norte da Nova Zelândia. Em junho de 2026, período em que o El Niño estava se intensificando, as concentrações de clorofila eram substancialmente menores que um ano antes.
A tendência era esperada pelos oceanógrafos do Laboratório de Ecologia Oceânica do Centro de Voos Espaciais Goddard da Nasa, considerando as alterações provocadas pelo fenômeno nos ventos alísios equatoriais. Com o enfraquecimento dos ventos alísios, diminui a chegada à superfície de águas frias carregadas de nutrientes, que são essenciais para o desenvolvimento do fitoplâncton. O resultado pode ser a redução da concentração desses organismos na superfície do oceano. A alteração pode aparecer tanto na intensidade da redução dos níveis de clorofila quanto na ampliação da área afetada. O fitoplâncton é formado por pequenas algas aquáticas e bactérias que realizam fotossíntese e obtêm energia diretamente da luz solar. Esses organismos estão na base da cadeia alimentar marinha e são consumidos pelo zooplâncton, que, por sua vez, serve de alimento para peixes e animais de maior porte. A redução do fitoplâncton pode provocar efeitos em diferentes níveis da cadeia alimentar, inclusive em regiões costeiras.
Com menor disponibilidade desses organismos, há menos alimento para o zooplâncton e, consequentemente, para peixes, aves marinhas e mamíferos marinhos. Os efeitos também podem alcançar a atividade pesqueira. Segundo a Nasa, episódios anteriores de El Niño provocaram redução expressiva na pesca de anchova no Peru, em razão do aquecimento das águas superficiais, da menor disponibilidade de nutrientes e da queda na concentração de fitoplâncton. O El Niño é caracterizado por temperaturas da água acima do normal em partes do Pacífico equatorial, acompanhadas de alterações nos padrões de circulação atmosférica e oceânica. O Centro de Previsão Climática da NOAA prevê continuidade do processo de intensificação do atual El Niño até o fim de 2026. A probabilidade de persistência do fenômeno até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte é de 97%. Mesmo nos estágios iniciais do fenômeno, os satélites já identificaram características associadas ao El Niño no Pacífico equatorial, incluindo temperaturas da superfície do mar acima do normal.
A continuidade do aquecimento e das alterações nos padrões atmosféricos e oceânicos pode ampliar os impactos sobre a produtividade biológica da região. Após o El Niño, entretanto, pode ocorrer recuperação das concentrações de clorofila, com níveis acima do normal no Pacífico equatorial. Pesquisas indicam que maiores concentrações de ferro transportadas pelas correntes oceânicas, além da poeira proveniente de áreas mais secas da América Central e da América do Sul, podem contribuir para o ressurgimento do fitoplâncton. Essa recuperação não depende necessariamente da ocorrência posterior do La Niña. O La Niña, que frequentemente sucede episódios de El Niño, também pode elevar as concentrações de clorofila. Um forte episódio ocorrido entre 1998 e 1999 provocou grande proliferação de fitoplâncton no Pacífico oriental e aumento expressivo das populações de peixes, conforme registros da Nasa. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.