18/Aug/2026
Segundo o Itaú BBA, o mercado de boi gordo deve exigir cautela nos próximos meses, diante do menor suporte das exportações, especialmente em razão do ritmo mais fraco dos embarques para a China. Ao mesmo tempo, a oferta restrita de bovinos tende a limitar o espaço para quedas de preços. Para o quarto trimestre, a perspectiva é mais favorável, com a expectativa de normalização da originação de gado destinada ao atendimento da cota de exportação chinesa de 2027. Para agosto e setembro, o fluxo de comercialização deve permanecer pressionado pelo menor ritmo das exportações para a China, enquanto a oferta de bovinos tende a continuar ajustada, em razão do menor volume proveniente do confinamento. A menor atratividade do primeiro giro de confinamento em relação ao segundo, considerando o perfil de carrego da curva futura, também contribui para uma oferta mais enxuta. Os vencimentos mais curtos vêm sendo penalizados, enquanto os contratos mais longos incorporam uma perspectiva mais favorável. A combinação entre oferta restrita e menor demanda externa já proporcionou recuperação das cotações.
Em São Paulo, o boi gordo acumulou alta de 7% nos 30 dias encerrados em 13 de agosto, enquanto a carcaça casada avançou 2% no mesmo período. O movimento ganhou intensidade na segunda quinzena de julho e prosseguiu na primeira metade de agosto, levando frigoríficos mais expostos ao mercado doméstico a elevar os preços para recompor as escalas de abate. A recuperação do mercado físico também alcançou a curva futura. O contrato com vencimento em novembro chegou a ser negociado a R$ 370,00 por arroba em 21 de julho, com prêmio de R$ 26,00 por arroba sobre o mercado físico. Em meados de agosto, esse prêmio havia recuado para cerca de R$ 10,00 por arroba. O movimento reforça a necessidade de atenção aos períodos de descolamento entre os contratos futuros e as cotações à vista. No mercado externo, as exportações brasileiras de carne bovina in natura recuaram para 228 mil toneladas em julho, ante 280 mil toneladas em junho e 277 mil toneladas em julho de 2025, quedas de 19% e 18%, respectivamente. O movimento foi determinado principalmente pela redução de 48% nas compras chinesas, parcialmente compensada pelo crescimento dos embarques para os Estados Unidos, de 106% em 12 meses, e para o Chile, de 88%.
A menor participação da China também pressionou o preço médio da carne bovina exportada, que recuou 2,8% ante junho. Apesar disso, como o custo do boi gordo em dólares caiu 3,7% no período, o spread das exportações permaneceu próximo de 11%, em linha com a média dos últimos cinco anos. No mercado doméstico, a valorização do boi gordo comprimiu parcialmente a margem da indústria, embora o indicador ainda permaneça em patamar historicamente sustentado. Na reposição, a relação de troca continua desafiadora. O preço do bezerro em Mato Grosso do Sul avançou menos que o boi gordo nos últimos 30 dias, mas julho apresentou a pior relação de troca dos últimos cinco anos, pressionando as margens das operações de recria e engorda. Para o quarto trimestre, o Itaú BBA projeta mudança de ambiente. A expectativa de normalização da originação de gado para atendimento da demanda chinesa deve proporcionar maior suporte às exportações e contribuir para um mercado mais construtivo para o boi gordo. No curto prazo, entretanto, o menor ritmo dos embarques limita altas mais expressivas, mesmo diante da oferta restrita de bovinos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.