18/Aug/2026
Segundo o Itaú BBA, a avicultura brasileira deve permanecer relativamente equilibrada nos próximos meses, sustentada por custos de produção ainda competitivos e pelo desempenho favorável das exportações. A expansão da oferta, porém, tende a limitar uma recuperação mais consistente dos preços no mercado doméstico. O setor também monitora o risco de eventual fechamento do mercado europeu e os possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre os custos de alimentação em 2027. A ampla disponibilidade de milho deve manter os custos de alimentação sob controle no curto prazo, enquanto as exportações continuam absorvendo parcela relevante do aumento da produção. No mercado interno, a oferta confortável dificulta movimentos mais consistentes de alta. Embora o frango mantenha vantagem competitiva em relação à carne bovina, esse diferencial não tem sido suficiente para sustentar as cotações da proteína avícola. A relação de preços permanece acima de 3 quilos de frango por quilo de dianteiro bovino, no maior patamar da série histórica.
Para uma recuperação mais consistente dos preços domésticos, seria necessária alguma redução da disponibilidade de carne no mercado interno. No mercado externo, os embarques permanecem como um dos principais fatores de sustentação da cadeia. As exportações brasileiras de carne de frango somaram 505 mil toneladas em julho, alta de 31% ante igual mês de 2025. No acumulado de janeiro a julho, o crescimento alcançou 15,9%. A recuperação gradual das vendas para o Oriente Médio também contribuiu para o desempenho. A região ainda acumula queda de 4% nas compras no ano, mas os embarques vêm reagindo após os impactos mais intensos registrados em março e abril, em meio às tensões no Estreito de Ormuz. O crescimento das vendas para a Ásia, África e União Europeia mais que compensou a fraqueza das compras do Oriente Médio. A situação sanitária brasileira também favorece o comércio internacional, diante da disseminação da gripe aviária em diversos países. O Itaú BBA, contudo, monitora o risco de fechamento do mercado europeu para o produto brasileiro a partir de setembro.
A União Europeia respondeu por cerca de 4,5% das exportações brasileiras de carne de frango em 2025 e ampliou as compras em 77% neste ano, movimento que pode ter sido influenciado pela expectativa de eventuais restrições. Um eventual fechamento do mercado europeu tende a ser parcialmente compensado pela capacidade de adaptação da cadeia avícola. O ciclo produtivo mais curto permite ajustes mais rápidos da oferta e redirecionamento das vendas para outros destinos, reduzindo o impacto de mudanças na demanda de mercados específicos. Mesmo com queda de 1,8% no preço médio da carne de frango in natura exportada em julho, os custos de produção controlados mantiveram o spread das exportações em 46%, acima da média de 43% registrada nos últimos cinco anos. Para 2027, o principal ponto de atenção passa a ser o comportamento climático. Um eventual impacto do El Niño sobre a produção de grãos na safra 2026/27 pode alterar a trajetória dos custos das proteínas animais, especialmente caso reduza a disponibilidade de milho e eleve os preços dos insumos utilizados na alimentação das aves. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.