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18/Aug/2026

Suíno: oferta elevada limita recuperação dos preços

Segundo o Itaú BBA, a suinocultura brasileira deve continuar enfrentando margens pressionadas no curto prazo, diante do elevado ritmo de produção, que tem limitado a recuperação dos preços no mercado doméstico. Uma moderação mais consistente da oferta será necessária para reequilibrar o mercado e recuperar a rentabilidade dos produtores. Ainda há, contudo, incertezas quanto à intensidade e à velocidade desse ajuste. Em julho, os preços do suíno vivo na Região Sul ficaram em torno de R$ 5,15 por quilo, enquanto o custo de produção estava próximo de R$ 6,20 por quilo. A diferença resultou em prejuízo estimado de aproximadamente R$ 120,00 por cabeça terminada, evidenciando forte pressão sobre as margens mesmo sem impactos relevantes sobre os custos de produção. Em São Paulo, a pressão também se intensificou. Entre 13 de julho e 13 de agosto, o preço do suíno vivo recuou 2,5%, enquanto a meia carcaça no atacado caiu 12%, atingindo o menor valor nominal desde 2022 e ficando 42% abaixo do nível registrado um ano antes.

A vantagem relativa da carne suína frente à carne de frango não foi suficiente para interromper a trajetória de queda das cotações. A principal dificuldade está na oferta. Apesar do desempenho favorável das exportações, o ritmo de produção permanece acima do registrado no ano passado e elevou a disponibilidade de carne no mercado doméstico ao fim do segundo trimestre. Com isso, a demanda interna não tem conseguido absorver integralmente o volume disponível, mantendo os preços pressionados. As exportações continuam funcionando como importante fator de sustentação. Em julho, os embarques de carne suína in natura somaram 115 mil toneladas, volume semelhante ao de junho e 2,3% superior ao de julho de 2025. No acumulado de janeiro a julho, o crescimento alcançou 7,5%, com destaque para as vendas às Filipinas, que avançaram 9%, ao Japão, com alta de 72%, e ao Chile, com crescimento de 6%. Apesar do aumento dos volumes embarcados, o preço médio da carne suína in natura exportada recuou 3,8% em julho ante junho.

Com isso, o spread das exportações retornou à média dos últimos cinco anos, de 36%, após alcançar 39% em junho. Uma eventual perda de ritmo dos embarques poderá ampliar novamente a pressão sobre o mercado doméstico. Há sinais preliminares de desaceleração da produção. Os indicadores de abates de julho apontam possível redução do ritmo, movimento que tende a aliviar a pressão sobre as cotações. O impacto sobre a oferta interna, porém, poderá ser limitado caso as exportações retornem a patamares mais próximos dos registrados no ano passado. Para 2027, o principal ponto de atenção passa a ser o comportamento dos custos de alimentação. Embora os custos permaneçam favoráveis no momento, os efeitos climáticos associados ao El Niño aumentam as incertezas para a próxima temporada, especialmente em relação à produção de milho 2ª safra de 2027 e, consequentemente, aos custos da alimentação animal. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.