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17/Aug/2026

Boi: cortes de capacidade ampliam margens nos EUA

Segundo análise do Citi, a redução da capacidade de processamento de carne bovina nos Estados Unidos, combinada à reabertura gradual da fronteira mexicana para o gado, cria uma trajetória mais clara para que os frigoríficos norte-americanos se aproximem do ponto de equilíbrio em 2027. Caso todos os fechamentos anunciados sejam efetivados, o prejuízo bruto atual, estimado em aproximadamente US$ 200,00 por cabeça, poderá ser reduzido para uma faixa entre US$ 47,00 e US$ 92,00 por bovino. O movimento mais recente foi anunciado pela Tyson Foods, que encerrará as operações de duas unidades e colocará uma terceira à venda. A companhia fechará a planta de carne bovina de Joslin, em Illinois, com capacidade de aproximadamente 3 mil cabeças por dia, e a unidade Eagle Mountain, em Utah, dedicada à preparação e embalagem de carne para o varejo. A Tyson também busca comprador para a unidade de Pasco, em Washington, com capacidade de aproximadamente 2,3 mil cabeças por dia.

Considerando essas medidas e os cortes de capacidade anunciados anteriormente pela própria Tyson Foods e pela JBS, a capacidade retirada do mercado poderá alcançar 16,5% caso a unidade de Pasco também seja fechada. Segundo o Citi, esse ajuste seria suficiente para eliminar entre 55% e 78% do déficit atual de margem dos frigoríficos, sem necessidade de recuperação da demanda por carne bovina. Após os cortes de capacidade, uma alta de apenas 1,5% a 3,0% nos preços da carne bovina no atacado seria suficiente para eliminar o déficit remanescente e levar a margem bruta dos frigoríficos a zero. Antes das medidas anunciadas, a estimativa do Citi indicava a necessidade de uma valorização de 5,2% a 6,6% nos preços da carne para alcançar o mesmo resultado. A melhora decorre principalmente da redução da disputa pela oferta de gado. Com menos frigoríficos concorrendo pela compra de animais, os custos de aquisição tendem a recuar, enquanto as unidades que permanecerem em operação poderão operar com maior utilização e diluir melhor os custos fixos.

Os cálculos consideram apenas esses dois efeitos e não incorporam eventual alta dos preços da carne bovina. Metade do ajuste de capacidade ainda não foi incorporada aos spreads atuais. Dos 16,5% de capacidade que poderão ser retirados do mercado, 8,3% já estão refletidos nas condições atuais, enquanto outros 8,2%, relacionados às unidades de Souderton, Joslin e Pasco, começam a afetar a dinâmica de compra de gado. A redução da capacidade de processamento e a reabertura gradual da fronteira entre México e Estados Unidos atuam sobre diferentes componentes do desequilíbrio enfrentado pelos frigoríficos. Os fechamentos reduzem o excesso de capacidade de abate, enquanto a retomada do fluxo de gado mexicano tende a aliviar a escassez de animais disponíveis para abate nos Estados Unidos. A combinação dos dois fatores melhora a perspectiva de recuperação da rentabilidade em 2027 ao atuar simultaneamente sobre o excesso de capacidade de processamento e a oferta insuficiente de gado.

O ajuste estrutural reduz a competição pela matéria-prima e, ao mesmo tempo, amplia a disponibilidade de animais para as unidades que continuarem em operação. As empresas brasileiras com operações relevantes nos Estados Unidos estão entre as principais beneficiárias potenciais desse processo de ajuste. JBS e MBRF, por meio da National Beef, tendem a capturar principalmente a melhora das margens de processamento, com a redução da capacidade instalada diminuindo a competição pela compra de gado e elevando a utilização das unidades remanescentes. A Minerva apresenta uma exposição diferente ao cenário. Os Estados Unidos permanecem estruturalmente deficitários em carne bovina, e a redução do abate doméstico tende a reforçar a necessidade de importações. Nesse ambiente, a companhia poderá se beneficiar do aumento da demanda externa por carne bovina, favorecendo suas exportações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.