17/Aug/2026
A FriGol registrou receita líquida recorde de R$ 1,55 bilhão no segundo trimestre de 2026, alta de 57,6% ante igual período do ano passado, mas viu o lucro líquido despencar 97,5%, para R$ 2,2 milhões. A rentabilidade foi pressionada pela valorização do gado bovino, em um cenário de menor oferta de animais no mercado brasileiro. O Ebitda recuou 65,7%, para R$ 52,9 milhões, com margem de 3,4%, ante 15,7% um ano antes. O custo dos produtos vendidos alcançou R$ 1,396 bilhão no trimestre, equivalente a 90% da receita líquida, ante 83,5% no segundo trimestre de 2025. Segundo as demonstrações financeiras, a pressão veio principalmente da elevação do preço médio de aquisição do gado, além dos efeitos do início das operações das unidades industriais em Rondônia, ainda em fase de maturação operacional. Entre dezembro de 2025 e junho de 2026, o aumento do custo do gado foi influenciado, entre outros fatores, pelo sistema de cotas de exportação para a China, que elevou a competição pela compra de animais habilitados, pela valorização dos animais de reposição e pelos primeiros sinais de inversão do ciclo pecuário, avaliou a companhia.
O CEO da FriGol, Luciano Pascon, afirmou que a empresa conseguiu capturar a valorização dos preços no mercado chinês e ampliar a receita no mercado doméstico. "A receita foi impulsionada pela alta dos preços no mercado chinês, e buscamos aproveitar da melhor forma possível a cota estabelecida pelo país", disse. Segundo ele, a receita no mercado interno cresceu 70% no trimestre, apesar de um cenário de consumo e preços estáveis, com foco em produtos de maior valor agregado e expansão para novos mercados, como Rondônia, Acre, Amazonas e Roraima. As exportações responderam por 52,4% da receita bruta da FriGol no segundo trimestre, enquanto o mercado interno ficou com 47,6%. A receita bruta externa cresceu 45,6%, para R$ 847,6 milhões, impulsionada principalmente pelo aumento dos volumes embarcados, pela expansão da capacidade produtiva após o início das operações em Rondônia, pela ampliação da carteira de clientes e pela abertura de novos mercados, incluindo os Estados Unidos. A companhia informou que o crescimento dos volumes compensou as limitações impostas pelas cotas de exportação para a China e a pressão sobre os preços internacionais das commodities.
A China continuou como principal destino das exportações, respondendo por 75,5% da receita externa. O Chile apareceu pela primeira vez como segundo principal mercado, com 5%. Somadas as vendas para outros países das Américas, incluindo Estados Unidos e Canadá, as exportações para a região cresceram 815% na comparação anual. No Sudeste Asiático, que inclui destinos como Indonésia e Filipinas, o avanço foi de 37%. Apesar da pressão sobre as margens, a FriGol elevou o abate em 45,9%, para 225.527 bovinos no trimestre, e as vendas de bovinos e subprodutos avançaram 47%, para 85.579 toneladas. O aumento do abate foi favorecido pela parceria para prestação de serviços de industrialização em três plantas de Rondônia, duas em Ji-Paraná e uma em Rolim de Moura. Para o CFO, Carlos Corrêa, a queda da rentabilidade está relacionada a um movimento que atinge todo o setor. "Houve impacto na rentabilidade decorrente do ciclo pecuário, um movimento que afeta todo o setor e não é específico da FriGol", afirmou.
Segundo ele, a companhia avançou em medidas de eficiência operacional e está concluindo a integração das plantas de Rondônia, com expectativa de capturar sinergias e reduzir custos e despesas fixas nos próximos períodos. No mercado doméstico, a estratégia de maior valor agregado também ganhou espaço. As linhas Chef, Angus, BBQ Secrets e Açougue Completo tiveram aumento de 20% no volume vendido. A empresa inaugurou cinco lojas do Açougue Completo em São Paulo e duas unidades do Açougue FriGol em Porto Velho, sendo três das novas lojas abertas em parceria com grandes atacarejos. A FriGol terminou o trimestre com caixa de R$ 468,6 milhões, alta de 126,6% em relação a um ano antes. A dívida líquida ficou em R$ 552,8 milhões e a alavancagem, em 2,2 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda dos últimos 12 meses. A dívida bruta alcançou R$ 1,02 bilhão. No primeiro semestre, a receita líquida somou R$ 2,55 bilhões, crescimento de 30,4% sobre os primeiros seis meses de 2025. O lucro líquido acumulado foi de R$ 13,3 milhões, ante R$ 87,6 milhões um ano antes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.