17/Aug/2026
A MBRF encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 69 milhões, queda de 19% ante igual período do ano passado. A receita líquida consolidada somou R$ 40,720 bilhões, alta de 4,9% na comparação anual. O Ebitda ajustado atingiu R$ 3,203 bilhões, crescimento de 5,4%, com margem Ebitda de 7,9%, ante 7,8% um ano antes. O volume vendido foi recorde para um segundo trimestre, de 1,969 milhão de toneladas, alta de 1,5%. Do volume total, 1,253 milhão de toneladas foram vendidas no mercado interno, queda de 3,1% ante o segundo trimestre de 2025, enquanto 716 mil toneladas foram destinadas ao mercado externo, alta de 10,8%. A receita no mercado doméstico somou R$ 28,010 bilhões, crescimento de 0,4%, enquanto a receita com vendas externas alcançou R$ 12,711 bilhões, avanço de 16,5%. No consolidado, a MBRF registrou resultado financeiro líquido negativo de R$ 1,776 bilhão no trimestre, alta de 23% ante o resultado negativo de R$ 1,443 bilhão um ano antes.
Segundo a companhia, a piora ocorreu em função de maiores gastos com juros. A dívida líquida consolidada somava R$ 45 bilhões ao fim de junho, alta de 2,4% ante o trimestre anterior e de 19,7% na comparação anual. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, passou de 3,37 vezes no primeiro trimestre para 3,41 vezes no segundo trimestre, ante 2,74 vezes um ano antes. A companhia registrou geração operacional de caixa de R$ 2,168 bilhões no segundo trimestre, enquanto os investimentos somaram R$ 1,411 bilhão. O consumo de caixa no período foi de R$ 864 milhões. Segundo a MBRF, o capital de giro foi pressionado pelo aumento dos estoques e dos ativos biológicos, pela ocupação dos confinamentos na operação de bovinos da América do Sul, pelo início da formação de estoques para a campanha de produtos comemorativos e por ajustes no prazo médio de pagamento a fornecedores.
Para o segundo semestre, o CFO, José Ignacio Scoseria, afirmou que a companhia pretende concentrar esforços na melhora dos indicadores de capital de giro. "No 2º semestre, estamos concentrando nossos esforços em uma melhora dos indicadores de capital de giro com foco nas rubricas de estoques e fornecedores, com o objetivo de impulsionar a geração de caixa da companhia", disse. A operação BRF respondeu por 79% do Ebitda ajustado da MBRF no segundo trimestre de 2026, enquanto Beef América do Sul representou 17% e Beef América do Norte, 4%. No consolidado, o Ebitda ajustado cresceu 5,4% na comparação anual, para R$ 3,203 bilhões, com avanço das operações BRF e América do Sul mitigando o efeito cambial sobre a operação norte-americana. A operação BRF registrou receita líquida de R$ 15,428 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 2,596 bilhões, alta de 3,8%, com margem de 16,8%, ante 16,3% um ano antes.
No mercado interno, o volume vendido cresceu 4,6% em relação ao primeiro trimestre, acompanhado pela ampliação da base de clientes, pelo aumento do número de itens por cliente e pela redução da indisponibilidade de produtos nos pontos de venda. No mercado externo, a BRF conquistou 34 novas habilitações no trimestre e registrou evolução dos preços em dólares de diversos cortes e destinos. No Oriente Médio, a instabilidade geopolítica manteve os preços em níveis elevados, mas também pressionou os custos logísticos. Na Turquia, a sazonalidade da temporada de churrasco e a resiliência do portfólio de processados favoreceram a rentabilidade. Na operação Beef América do Sul, a receita líquida cresceu 26,4%, para R$ 6,389 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 22,1%, para R$ 570 milhões. O volume vendido aumentou 8,8%, para 273 mil toneladas, impulsionado pela expansão da capacidade produtiva e pela otimização da ocupação dos complexos industriais.
As exportações responderam por 62% da receita do segmento. Já a operação Beef América do Norte teve aumento de 2% no volume vendido, para 477 mil toneladas, e alta de 14,9% na receita em dólares, para US$ 3,748 bilhões. O desempenho foi favorecido pelo maior peso médio das carcaças e pela demanda firme por carne bovina. O Ebitda ajustado ficou em US$ 26 milhões, com margem de 0,7%, ainda refletindo a menor oferta de gado e os elevados custos de aquisição dos animais. A Sadia Halal encerrou o trimestre com receita líquida de US$ 590 milhões e Ebitda ajustado de US$ 95 milhões, mais que o dobro dos US$ 46 milhões registrados um ano antes. A margem Ebitda ajustada alcançou 16,1%, novo recorde da operação, ante 9,2% no segundo trimestre de 2025. A MBRF espera iniciar uma trajetória de redução da alavancagem financeira no segundo semestre, após o indicador atingir 3,41 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda no segundo trimestre.
Segundo o CFO da companhia, José Ignacio Scoseria, a manutenção do nível de alavancagem no trimestre, apesar da expansão do Ebitda, foi provocada principalmente pelo consumo de capital de giro. A dívida líquida da MBRF encerrou junho em R$ 45 bilhões, alta de 2,4% ante o primeiro trimestre, enquanto a alavancagem passou de 3,37 para 3,41 vezes. "Temos, como companhia, condições para gradualmente ir trazendo a alavancagem para baixo", afirmou Scoseria em conversa com jornalistas. Segundo ele, a MBRF consumiu cerca de R$ 1,2 bilhão em capital de giro no segundo trimestre, o que pressionou a geração de caixa e impediu uma redução do indicador. O principal impacto veio da dinâmica dos estoques, especialmente em razão do conflito no Oriente Médio. O aumento do prazo para abastecimento da região exigiu que a companhia mantivesse volumes maiores de produtos em trânsito.
A estratégia, segundo ele, tem permitido à empresa abastecer a região e obter "uma rentabilidade muito boa", mas com impacto no ciclo de caixa. Scoseria também citou o aumento da produção do portfólio de comemorativos e ajustes em prazos de pagamento a fornecedores como fatores que pressionaram o capital de giro no trimestre. O executivo, porém, considera que o movimento é pontual e sazonal e espera a reversão desse capital no segundo semestre. "Esse capital de giro vai retornar na segunda metade do ano", afirmou. A expectativa é de que a recuperação permita à companhia retomar a trajetória de desalavancagem. O CEO da MBRF, Miguel Gularte, afirmou que a companhia está confortável com o nível atual de endividamento diante das circunstâncias do negócio, mas reiterou que a redução da alavancagem continua entre as prioridades da gestão. "Desalavancar a companhia faz parte da nossa disciplina e da forma que fazemos a gestão da companhia", disse.
Segundo Gularte, a manutenção de estoques elevados no Oriente Médio é uma contingência necessária, diante do aumento do prazo para abastecimento da região. Em contrapartida, a estratégia contribuiu para uma forte melhora da rentabilidade no mercado. A companhia registrou no segundo trimestre uma rentabilidade no Oriente Médio "o dobro do que o ano anterior", segundo o executivo. A MBRF vê continuidade do forte ritmo das exportações no terceiro trimestre, com a demanda internacional ainda superior à oferta e oportunidades adicionais abertas pela entrada em novos mercados. Segundo Miguel Gularte, o cenário observado no primeiro semestre se mantém no início da segunda metade do ano, apesar dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre a logística e os estoques. "Vemos que o mercado continua aquecido. A demanda para exportação segue superando a oferta”, afirmou Gularte. Segundo ele, a dinâmica observada no terceiro trimestre até o momento é "bastante similar" à dos dois primeiros trimestres do ano.
A companhia também conseguiu novas habilitações, o que amplia sua capacidade de direcionar produtos para mercados mais rentáveis. "Sempre novos destinos de exportação oferecem oportunidades e nós, como uma empresa ágil que somos, conseguimos capturar e arbitrar opções de destino e, dessa forma, proteger preço”, disse o executivo. No Oriente Médio, Gularte avalia que a estratégia adotada pela MBRF desde o início do conflito, no fim de fevereiro, vem se mostrando acertada. A companhia ampliou os estoques em trânsito para garantir o abastecimento da região, mesmo com o aumento do tempo de entrega, e ganhou espaço junto aos clientes locais. “Hoje a MBRF é vista não só na Arábia Saudita, mas em todo o Oriente Médio, como uma empresa que em nenhum momento deixou faltar produto na gôndola dos seus clientes”, afirmou. Segundo Gularte, a atuação reforçou o papel da companhia na segurança alimentar da região, especialmente em um ambiente de conflito. A estratégia, porém, tem exigido maior capital de giro, já que a empresa mantém volumes elevados de produtos em trânsito.
O CFO José Ignacio Scoseria afirmou que esse estoque maior foi um dos principais fatores para o consumo de capital de giro registrado no segundo trimestre, mas disse que a companhia vem obtendo boa rentabilidade com o abastecimento do Oriente Médio. Além do mercado externo, Gularte afirmou que a MBRF começa a observar uma melhora no mercado doméstico. “Nós vemos o mercado externo bem e o mercado interno melhorando à medida que os meses vão transcorrendo”, disse. Para o restante do ano, o executivo afirmou que a companhia mantém uma visão positiva, diante da evolução gradual dos resultados ao longo dos meses e da sazonalidade tradicionalmente favorável do segundo semestre. Segundo Gularte, o período é especialmente importante para a MBRF por causa da demanda por produtos natalinos e comemorativos, agora potencializada pela ampliação do portfólio de bovinos. A MBRF espera reverter no segundo semestre o consumo de caixa considerado excepcional registrado na primeira metade do ano, com a reversão de efeitos sazonais e de fatores relacionados ao conflito no Oriente Médio.
Segundo o CFO da companhia, José Ignacio Scoseria, a guerra levou a empresa a reforçar estoques e manter mais capital de giro, enquanto outros fatores também pressionaram o caixa no período. “Nosso comprometimento é, no segundo semestre, devolver esse consumo excepcional que tivemos no primeiro semestre”, afirmou Scoseria. Segundo ele, a companhia está “muito confiante” de que conseguirá trazer novamente esse dinheiro para o fluxo de caixa na segunda metade do ano. O principal impacto extraordinário esteve relacionado ao conflito no Oriente Médio. No primeiro trimestre, a MBRF alocou mais de 50 mil toneladas adicionais de estoques entre o Brasil e a região, como forma de se antecipar a possíveis interrupções logísticas. “Hoje isso está dando um retorno extraordinário para a companhia”, disse Scoseria, ao classificar a decisão como acertada. O relatório da administração mostra que, no segundo trimestre, a companhia teve fluxo de caixa operacional de R$ 2,168 bilhões, mas investimentos de R$ 1,411 bilhão e despesas financeiras de R$ 1,622 bilhão, resultando em consumo de caixa de R$ 864 milhões.
O documento também atribui parte do consumo de capital de giro ao aumento de estoques e de ativos biológicos e a ajustes no prazo médio de pagamento a fornecedores. Scoseria citou ainda fatores sazonais, como o aumento do gado confinado e a formação de estoques para a campanha de produtos comemorativos. No segundo trimestre, a empresa também elevou os estoques de produtos acabados, após ter iniciado o ano com volume de processados abaixo da expectativa. Com isso, o nível de estoque ficou temporariamente acima da política interna da companhia. Também pesaram sobre o caixa o pagamento de bônus e de participação nos lucros e resultados (PLR), além de um ajuste no prazo de pagamento a fornecedores, que ficou um pouco menor no trimestre. Na frente de investimentos, Scoseria afirmou que a MBRF pretende reduzir o ritmo de capex após os desembolsos elevados dos últimos anos. A companhia investiu R$ 1,411 bilhão no segundo trimestre, sendo R$ 1,120 bilhão na operação BRF e R$ 290,5 milhões nas operações de beef.
Os investimentos incluíram expansão de capacidade, projetos em Jeddah, otimização de abate e expansões no Brasil, Argentina e Uruguai. Segundo o CFO, o capex somou cerca de R$ 2,5 bilhões no primeiro semestre, desconsiderando arrendamentos, e a expectativa é de valor semelhante na segunda metade do ano. Com isso, os investimentos devem ficar próximos de R$ 5 bilhões em 2026, abaixo dos R$ 6,2 bilhões acumulados em 12 meses. Para 2027, a companhia trabalha para reduzir esse montante em mais R$ 1 bilhão. “Estamos confortáveis em poder reduzir, daqui para a frente, o capex”, afirmou Scoseria. Para ele, a combinação de menor investimento com a recuperação do capital de giro deve permitir à MBRF melhorar a conversão de caixa. A normalização da indústria de carne bovina dos Estados Unidos ganha força com o ajuste da capacidade de processamento, segundo o CEO da operação da MBRF no país, Tim Klein. O executivo afirmou que a indústria americana perdeu 12% da capacidade nos últimos dois anos e que o novo movimento de redução anunciado pela Tyson Foods deve ter impacto imediato, ajudando a reequilibrar a oferta de animais e a estrutura industrial.
“Com certeza, o anúncio do fechamento da fábrica ontem da Tyson vai causar impacto na capacidade da indústria imediatamente”, afirmou Klein, durante teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre. A Tyson anunciou na quinta-feira (13/08) o fechamento de uma unidade de carne bovina em Joslin (Illinois) e de uma planta de produtos bovinos prontos para o varejo em Eagle Mountain (Utah), além de colocar à venda a unidade de Pasco (Washington). A companhia pretende concentrar a operação em três plantas, em Dakota City (Nebraska), Holcomb (Kansas) e Amarillo (Texas). Segundo Klein, o movimento faz parte de um ajuste típico do mercado pecuário, marcado atualmente por menor oferta de gado, excesso de capacidade industrial e margens comprimidas. Historicamente, afirmou, esse cenário leva ao fechamento temporário ou permanente das plantas menos eficientes, contribuindo para alinhar a capacidade de processamento à disponibilidade de animais. “O ciclo atual está consistente com ciclos anteriores: menor oferta, excesso de capacidade da indústria, margens comprimidas”, afirmou.
Segundo ele, a redução de capacidade observada nos últimos anos trouxe mais equilíbrio entre oferta e demanda no setor. Para Klein, o ajuste da indústria, combinado à normalização gradual da entrada de gado mexicano nos Estados Unidos, cria condições para melhora do mercado. “Nós achamos que a parte mais desafiadora do ciclo já ficou para trás. E esperamos uma melhoria daqui para frente”, disse. O executivo diferenciou, porém, os efeitos da redução de capacidade americana daqueles relacionados à retomada das importações de gado do México. Enquanto o fechamento de plantas tem impacto imediato, a entrada maior de animais mexicanos deve ter efeito mais tardio sobre a National Beef. Segundo Klein, esse impacto não deve ser sentido no curto prazo e pode aparecer apenas no segundo semestre de 2027. A reabertura da fronteira mexicana também pode apresentar características diferentes neste ciclo. Klein explicou que, tradicionalmente, o gado que cruza a fronteira é mais leve e passa mais tempo em pastagem. Desta vez, porém, há um estoque maior de animais no México, o que pode resultar na entrada de gado mais pesado no mercado norte-americano.
Segundo ele, os efeitos poderão ser avaliados à medida que esses animais começarem a entrar nos Estados Unidos. A avaliação da MBRF, portanto, é de que o setor já atravessou a fase mais difícil do atual desequilíbrio entre oferta de gado e capacidade de processamento e caminha para uma melhora gradual, à medida que a capacidade industrial se ajusta e a oferta de gado mexicano volta a se normalizar. “O pior do ciclo já passou e as coisas vão melhorar daqui para frente”, afirmou Klein. A Sadia Halal apresentou no segundo trimestre resultado duas vezes maior do que o registrado um ano antes, destacou o CEO da MBRF, Miguel Gularte. Para o executivo, o desempenho reforça o posicionamento da companhia no Oriente Médio e deixa a operação bem-posicionada para um futuro processo de abertura de capital. Segundo Gularte, a estratégia de reforço de estoques no Oriente Médio se mostrou relevante para o desempenho da operação, que conseguiu aproveitar a demanda da região. “Essa escolha de estoques que se transformam em caixa no curto prazo se mostrou extremamente relevante”, afirmou.
Na avaliação do executivo, o desempenho deixa a companhia em boa posição para avançar com os planos relacionados ao IPO da operação. “Isso nos deixa muito bem-posicionados para o futuro IPO. Eu tenho certeza de que vai ser um êxito para a Sadia Halal no Oriente Médio”, disse. A operação da Sadia Halal passou por uma reorganização societária em 2026. Em 3 de maio, foi concluída a transação entre a BRF GmbH e a HPDC, com a BRF GmbH ficando com 90% da companhia e a HPDC com os 10% restantes. A operação envolveu a contribuição das atividades de distribuição e industrialização da BRF nos países do Golfo e das exportações diretas para a região Mena. Os ativos da Turquia ficaram fora da transação. A MBRF está alongando sua posição em grãos para os próximos meses e, diante dos riscos para os preços e do nível atual das cotações, tem optado por fixar valores em contratos a termo. Segundo o CFO, José Ignacio Scoseria, a estratégia permite à companhia se proteger de eventuais altas sem, necessariamente, elevar o consumo de capital de giro com a formação de estoques físicos.
“Nós vamos provavelmente ter um nível de compra física similar ao do ano passado nessa safrinha, mas nós vamos continuar alongando a posição via outros instrumentos, como, por exemplo, contratos a termo”, afirmou Scoseria. A MBRF já vinha adotando a estratégia desde o ano passado, quando realizou uma compra física maior na safrinha. Neste ano, a companhia pretende manter nível semelhante de aquisição física, mas ampliar a proteção por meio de contratos a termo. “Não necessariamente um posicionamento mais alongado em grãos tem a ver com compra física e dispêndio de capital de giro”, disse. Segundo o CFO, a empresa trabalha com diferentes modalidades de contratos, podendo optar por preços fixos ou manter valores em aberto para definição posterior. Neste momento, porém, a MBRF prefere fixar preços, aproveitando o patamar considerado favorável e buscando dar previsibilidade aos custos para os próximos meses. “Com o risco que nós estamos vendo para a frente, e o bom nível de preços que nós estamos surfando neste momento, nós estamos tomando a opção de fixar preços”, afirmou.
“Estamos tomando essa estratégia de alocarmos a carteira a preços fixos.” A política permite à companhia alongar sua exposição a grãos sem necessariamente repetir, no segundo semestre, um consumo elevado de capital de giro decorrente da formação de estoques. Scoseria afirmou que a MBRF seguirá com posições alongadas, mas isso não significa, necessariamente, maior compra física. O CEO, Miguel Gularte, acrescentou que a estratégia é apoiada por equipes da companhia que acompanham presencialmente as diferentes regiões produtoras. Segundo ele, a MBRF mantém profissionais “permanentemente monitorando in loco” as condições de grãos e insumos de produção. A MBRF vê a demanda por produtos processados crescer mês a mês no mercado brasileiro, sem pressão negativa sobre os preços, mesmo diante do excesso de oferta de carne suína e da consequente queda do custo da matéria-prima. Segundo Miguel Gularte, a capilaridade comercial, a força das marcas e a possibilidade de redirecionar produtos para diferentes mercados permitem à companhia absorver parte desse impacto.
“Nós vemos um processo de crescimento de demanda mês a mês, sem ter nenhuma variação negativa nos preços”, afirmou Gularte, durante teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre. Para o executivo, a estratégia comercial da MBRF tem permitido que a queda dos preços da matéria-prima suína não seja integralmente repassada aos produtos processados. A companhia também conta com a possibilidade de direcionar parte da produção para exportação, embora a participação da operação de suínos no mercado externo seja menor. Gularte afirmou que a MBRF entra agora no período mais favorável do ano para os processados, com o início do segundo semestre e as vendas de fim de ano. “Nós não estamos desconfortáveis; estamos confiantes”, disse. A MBRF está no caminho para entregar em 2026 cerca de R$ 620 milhões em sinergias previstas no primeiro ano do plano de integração após a fusão entre BRF e Marfrig, afirmou Gularte. Segundo ele, a execução está alinhada ao cronograma original e demonstra, na prática, o potencial de ganhos que justificou a combinação das duas empresas.
“Quando nós fizemos a fusão, nós divulgamos um plano de sinergia de R$ 1 bilhão, sendo que R$ 620 milhões nós já faríamos agora no ano 2026. Isso vem perfeitamente no caminho”, afirmou Gularte. Segundo o executivo, a companhia espera entregar o montante previsto para este ano e mantém o plano de alcançar R$ 1 bilhão em sinergias. “Não é uma questão de otimismo, é uma questão de prática de um plano e execução de uma estratégia”, disse. Gularte afirmou que parte importante dos ganhos decorre justamente da combinação das operações. Segundo ele, antes da fusão havia um limite para os resultados que BRF e Marfrig conseguiriam alcançar mesmo trabalhando de forma colaborativa. A união, afirmou, permitiu avançar sobre oportunidades que dependiam de integração plena. “Nós dizíamos, no momento em que divulgamos a fusão, que tinha um limite para as duas empresas atingirem determinados resultados. Esses resultados só seriam conseguidos através de um processo de fusão. Isso está acontecendo na prática”, afirmou.
O programa de eficiência, anteriormente chamado BRF+, passou a ser denominado MBRF+ após a fusão. Segundo Gularte, a mudança não se limitou ao nome, mas envolveu também a forma de controle dos indicadores e a elaboração conjunta dos planos de eficiência. O CEO destacou ainda que a integração ocorre entre duas empresas com culturas consideradas complementares, o que, na avaliação dele, reduz um dos riscos tradicionais de processos de fusão. “Nós estamos vivendo a fusão de duas empresas em excelente momento, em duas empresas com cultura vitoriosa”, afirmou. A diversificação de mercados construída pela MBRF nos últimos anos permite à companhia redirecionar produtos caso ocorram restrições em destinos como China e Europa, segundo Miguel Gularte. O executivo afirmou que a abertura de novos mercados e a habilitação de plantas em diferentes origens reduziram a dependência de destinos específicos. “Todo aquele esforço que fizemos para abrir mercados e habilitar plantas nos permitiu ter agora essa situação”, afirmou Gularte.
O CEO também destacou a exposição relativamente pequena da companhia a alguns desses mercados. Segundo ele, a Europa representa menos de 1% no caso da carne bovina brasileira e menos de 0,5% no caso de aves, enquanto a China responde por cerca de 2,7% no caso da carne bovina brasileira. Como exemplo da flexibilidade obtida com a diversificação, Gularte citou a possibilidade de redirecionar produtos que seriam destinados à China para a plataforma da National Beef, nos Estados Unidos. Segundo ele, a estrutura construída pela MBRF permite compensar eventuais dificuldades de acesso ao mercado chinês sem a necessidade de acumular estoques à espera de uma reabertura. “Isso também nos permite não ter que acumular estoques esperando a reabertura do mercado”, afirmou. A companhia também pode utilizar as operações no Brasil, Uruguai e Argentina para direcionar produtos a outros mercados já abertos.
Gularte mencionou ainda o aumento das cotas de exportação brasileiras para a China em 2027, mas afirmou que a MBRF não precisa condicionar sua operação ao incremento. “Nós podemos seguir operando a partir da nossa plataforma brasileira, uruguaia ou argentina, destinando nossos produtos para os outros mercados que nós diligentemente abrimos”, disse. Segundo o executivo, a plataforma da National Beef amplia essa flexibilidade por se tratar de uma operação já estabelecida e reconhecida no mercado americano. A estrutura permite que produtos sejam direcionados aos Estados Unidos quando houver necessidade de compensar mudanças em outros destinos. “É muito diferente você chegar com um produto quando você tem uma plataforma estabelecida e, mais que estabelecida, reconhecida como é o caso da National Beef”, afirmou. Fonte: Broadcast Agro.