13/Aug/2026
Depois de registrarem o melhor primeiro semestre da história, as exportações brasileiras de carne bovina iniciaram a segunda metade de 2026 em ritmo mais moderado. O movimento, porém, não representa uma reversão da tendência positiva observada ao longo do começo do ano. A desaceleração de julho está principalmente relacionada à redução dos embarques para a China, após a forte antecipação das vendas a esse mercado nos primeiros meses do ano e o avanço do preenchimento da cota estabelecida pelo país, que, segundo o governo chinês, já está em 90%. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações brasileiras de carne bovina somaram 257,983 mil toneladas em julho, queda de 16,83% frente ao mesmo mês de 2025. A receita obtida, por sua vez, recuou em intensidade bem menor, saindo de US$ 1,66 bilhão em julho do ano passado para US$ 1,56 bilhão em julho deste ano, retração de 6,02%.
A diferença entre a retração anual do volume exportado e a da receita revela que a carne bovina brasileira vem sendo comercializada internacionalmente a valores mais elevados. Em julho/26, o preço médio pago por tonelada exportada foi de US$ 6.069,17, alta de 13,2% em relação aos US$ 5.362,29 por tonelada registrados um ano antes. Essa sustentação dos preços ajuda a limitar os efeitos da redução dos volumes embarcados e mantém a receita em patamares elevados. Entre os principais destinos da proteína brasileira, a China segue em primeiro lugar. Em julho, conforme dados da Secex, os chineses adquiriram 82,714 mil toneladas da carne bovina brasileira, baixa de 47,8% frente ao mesmo mês do ano passado. Em receita, as vendas somaram US$ 529,2 milhões, recuo de 39,6% no mesmo comparativo. A redução está associada ao avanço do preenchimento da cota de importação, o que levou frigoríficos brasileiros a ajustarem o ritmo dos embarques para evitar custos tarifários adicionais.
Por outro lado, essa retração chinesa vem sendo parcialmente compensada pela expansão das vendas a outros mercados. Os Estados Unidos elevaram o volume comprado do Brasil em 9,6%, saindo de 26,351 mil toneladas em junho para 28,892 mil toneladas em julho. Chile e União Europeia também aumentaram as aquisições em 49,9% e 41,4%, respectivamente, e o México também apresentou crescimento no mesmo comparativo, de 4,5%. Outros mercados também demonstraram que existe espaço para a carne bovina brasileira ampliar sua presença internacional. No comparativo com julho de 2025, a Argentina, por exemplo, aumentou suas compras do produto nacional em expressivos 317,9%, enquanto a Indonésia registrou alta de 178,5%. A Arábia Saudita avançou as importações da carne brasileira em 78%. Para exportadores, a diversificação de destinos deixa de ser apenas uma estratégia de longo prazo e passa a ser um dos principais fatores para sustentar o crescimento das vendas externas neste restante de 2026. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.