13/Aug/2026
Pesquisa desenvolvida por cientistas da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Iowa e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), publicada no periódico científico Journal of Dairy Science, identificou receptores funcionais de ácido siálico nas glândulas mamárias de diversas espécies de suínos, ovinos, caprinos e alpacas, além de tecidos mamários humanos. Essas estruturas são capazes de se ligar ao vírus da gripe aviária de alta patogenicidade H5N1. Os resultados indicam que a capacidade de infecção e replicação do H5N1 em tecidos mamários pode não estar restrita a vacas leiteiras, ampliando os alertas para possíveis casos de mastite viral e transmissão entre diferentes espécies na pecuária.
A descoberta também reforça a necessidade de vigilância sobre a circulação do vírus em animais de produção. Os pesquisadores mapearam a distribuição dos receptores de ácido siálico nos tecidos analisados. Essas estruturas funcionam como pontos de entrada utilizados pelos vírus para invadir as células. O estudo avaliou dois tipos de receptores: o alpha2,6-gal, preferencialmente utilizado por vírus adaptados a mamíferos, e o alpha2,3-gal, associado a linhagens de origem aviária. O tecido das glândulas mamárias de todas as espécies analisadas apresentou elevada presença de receptores alpha2,6-gal ao longo dos canais e estruturas responsáveis pela produção de leite, além de receptores alpha2,3-gal, que também podem ser utilizados por vírus de origem aviária.
Em testes com uma variante do H5N1, os pesquisadores confirmaram a capacidade de ligação do vírus às células mamárias. A ligação foi observada tanto em animais ruminantes, como vacas, ovelhas e cabras, quanto em não ruminantes, como suínos e alpacas. A presença de receptores compatíveis com o H5N1 em diferentes espécies de produção amplia a preocupação sanitária, considerando a relevância econômica das cadeias de carnes e leite. Segundo os pesquisadores, a presença desses receptores nos tecidos mamários indica potencial para ocorrência de mastite viral e contaminação de leite cru em criações de pequenos ruminantes e suínos. Os resultados também reforçam a necessidade de vigilância sanitária contínua e de medidas de proteção para trabalhadores rurais que realizam atividades de ordenha e manejo dos animais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.