12/Aug/2026
A JBS já considera em seus planos a possibilidade de o Brasil ficar temporariamente sem fornecer carne bovina à União Europeia, diante da dificuldade de comprovação, nos próximos meses, da conformidade da cadeia produtiva brasileira com as exigências do bloco. A medida está prevista para entrar em vigor em 3 de setembro, caso não haja extensão do prazo ou alteração nas condições de implementação das novas exigências. O principal desafio, neste momento, não está na existência de propriedades brasileiras com capacidade de atender aos requisitos europeus, mas na obtenção de evidências oficiais capazes de comprovar a conformidade da cadeia produtiva com as exigências estabelecidas pela União Europeia. O Brasil possui condições produtivas para atender ao mercado europeu, mas enfrenta dificuldades para estruturar, no curto prazo, os mecanismos de comprovação e garantia necessários para demonstrar o cumprimento das regras.
Sem extensão do prazo ou mudanças nas condições da negociação, a cadeia brasileira poderá enfrentar dificuldades para atender integralmente às exigências nos próximos meses. Uma eventual solução dependeria de negociação que permitisse postergar o início do processo ou concedesse prazo adicional para a implementação dos mecanismos necessários à comprovação da conformidade. A possibilidade de uma suspensão temporária de dois anos é considerada um limite máximo para o período de interrupção das vendas brasileiras à União Europeia. A expectativa é de que o Brasil retome o fornecimento de carne bovina antes desse prazo. O período de dois anos havia sido citado na semana anterior pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) como possibilidade caso não seja estabelecida uma fase de transição para a adoção das novas exigências.
Embora o mercado europeu tenha dimensão menor que destinos como a China, a JBS considera estratégica a manutenção de todos os mercados de exportação abertos e o desenvolvimento das vendas em cada destino. A preservação da diversificação dos mercados é relevante para reduzir a dependência de compradores específicos e ampliar as alternativas de comercialização da carne bovina brasileira. A eventual suspensão das vendas para a União Europeia acrescentaria um fator de ajuste ao fluxo de exportações brasileiras de carne bovina, em um momento em que a cadeia também enfrenta mudanças nas condições de acesso a outros mercados. A capacidade de comprovação da conformidade, portanto, passa a ser um elemento determinante para a continuidade dos embarques ao bloco a partir de 3 de setembro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.