12/Aug/2026
A JBS registrou prejuízo líquido atribuível aos acionistas de US$ 102 milhões no segundo trimestre de 2026, ante lucro de US$ 528 milhões em igual período do ano. A receita líquida atingiu US$ 23,9 bilhões, alta de 14% na comparação anual e recorde. O Ebitda ajustado recuou 8,2%, para US$ 1,26 bilhão, enquanto a margem caiu de 6,5% para 5,3%. O lucro por ação ficou negativo em US$ 0,10, ante US$ 0,48 no segundo trimestre de 2025. O resultado líquido foi afetado por itens não recorrentes. Segundo a companhia, os principais ajustes foram US$ 172 milhões em prêmios, juros e custos relacionados às ofertas de recompra de bonds e CRA, US$ 133 milhões referentes a acordos antitruste e US$ 81 milhões relativos ao cálculo final do ganho na aquisição da Mantiqueira. No conceito ajustado, o lucro líquido foi de US$ 218 milhões, com lucro por ação de US$ 0,20.
Segundo o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, a rentabilidade apresentou melhora sequencial na maioria das unidades de negócio. Na comparação com o primeiro trimestre, o Ebitda ajustado cresceu de US$ 1,13 bilhão para US$ 1,26 bilhão. De acordo com ele, a comparação anual foi prejudicada pelo resultado excepcional registrado no segundo trimestre de 2025, especialmente nas operações de aves. "O segundo trimestre do ano passado foi um recorde histórico de resultado para a empresa", afirmou. A JBS gerou fluxo de caixa livre positivo de US$ 130 milhões no trimestre, ante consumo de US$ 55 milhões um ano antes. A companhia atribuiu a melhora principalmente à gestão do capital de giro, com avanço de US$ 600 milhões nos recebíveis, refletindo maior desconto de recebíveis e maiores adiantamentos de clientes chineses relacionados às exportações brasileiras, e aumento de US$ 390 milhões nos fornecedores.
A alavancagem líquida encerrou junho em 3,10 vezes, ante 2,77 vezes em março e ligeiramente acima da meta financeira de longo prazo da companhia. O prazo médio da dívida chegou a 15,3 anos, com custo médio de 5,7%. Em agosto, a JBS elevou sua linha de crédito rotativo de US$ 3,5 bilhões para US$ 4,2 bilhões, levando a liquidez total a US$ 7,7 bilhões. As operações da JBS apresentaram desempenhos distintos no segundo trimestre de 2026, com a carne bovina nos Estados Unidos ainda pressionando a rentabilidade, enquanto a operação brasileira registrou Ebitda recorde para um segundo trimestre. Na JBS Beef North America, o Ebitda ajustado ficou negativo em US$ 100 milhões, embora tenha apresentado melhora ante a perda de US$ 264 milhões um ano antes. A receita da unidade atingiu recorde de US$ 7,8 bilhões, alta de 14,2%. A operação norte-americana continua afetada pela oferta restrita de gado.
Segundo a JBS, o aumento dos preços dos bovinos superou a valorização da carne, mantendo os spreads da indústria pressionados. As importações de gado vivo do México permaneceram restritas durante o trimestre. A companhia anunciou o fechamento de duas plantas nos Estados Unidos, em Souderton, na Pensilvânia, e Memphis, no Tennessee, com absorção da produção por outras unidades. Também unificou as estruturas Fed Beef, Regional Beef e Case Ready em uma única operação, denominada Beef USA. A JBS Brasil registrou receita líquida recorde de US$ 4,6 bilhões, alta de 28%, e Ebitda ajustado de US$ 273 milhões, avanço de 22,1% e maior resultado para um segundo trimestre. A margem ficou em 5,9%, mesmo com aumento de 12% no preço médio do gado, para aproximadamente R$ 353 por arroba. O desempenho foi sustentado por preços e volumes maiores nas exportações e no mercado doméstico. A Seara teve receita de US$ 2,56 bilhões, alta de 18,2%, e Ebitda ajustado de US$ 315 milhões, com margem de 12,3%.
Já a Pilgrim's Pride registrou Ebitda de US$ 360 milhões, queda de 47,6%, com margem de 7,8%, pressionada pela comparação com o resultado recorde de 2025 e por preços menores de commodities. Na operação de suínos nos Estados Unidos, o Ebitda ajustado cresceu 38%, para US$ 184 milhões, com margem de 8,9%, apesar de uma demanda doméstica mais moderada. A JBS Austrália teve receita de US$ 2,6 bilhões, alta de 30%, e Ebitda de US$ 218 milhões, queda de 12,8%, afetada, entre outros fatores, pelo aumento de 24% nos custos do gado. A retomada gradual das importações de gado vivo do México pelos Estados Unidos deve melhorar de forma substancial a oferta de animais no mercado americano a partir de 2027, na avaliação do CEO da JBS USA, Wesley Batista Filho. Segundo ele, a suspensão dos embarques mexicanos agravou a restrição de oferta de bovinos no país e seu impacto equivale a anos de reconstrução do rebanho norte-americano. "O impacto do México é equivalente a anos de reconstrução de rebanho", afirmou.
Os Estados Unidos vão retomar de forma gradual as importações de bovinos do México a partir de 24 de agosto, inicialmente pelo porto de Douglas, no Arizona, na fronteira com Sonora. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que, após avaliar a operação, poderá avançar para os portos de Santa Teresa e Columbus, no Novo México. Com a normalização do fluxo, a expectativa é recuperar quase integralmente o volume de gado mexicano exportado aos Estados Unidos. "Isso representava de 4% a 5% do volume total abatido de gado nos Estados Unidos", disse. Para o executivo, a reabertura tem impacto relevante sobre a oferta no curto prazo, enquanto a reconstrução do rebanho americano continuará sendo um processo mais longo. Batista Filho explicou que parte dos bovinos que deixaram de ser enviados aos Estados Unidos nos últimos dois anos permaneceu no México, onde passou pelo processo de recria. Alguns desses bovinos precisarão apenas ser enviados aos Estados Unidos para a fase final de engorda antes do abate.
Com isso, a JBS espera começar a observar bovinos mexicanos prontos para abate no primeiro trimestre e uma normalização desse fluxo no segundo trimestre de 2027. O executivo também afirmou que o rebanho norte-americano já deixou de cair e deve começar a crescer. Com a questão mexicana encaminhada, porém, a JBS passa a enxergar uma dinâmica diferente para a recuperação da oferta nos Estados Unidos. "Estamos bastante otimistas com esse negócio para o ano que vem", afirmou. Segundo Batista Filho, a indústria norte-americana vinha enfrentando dois problemas simultâneos de oferta: a redução do rebanho doméstico, provocada por fatores climáticos e decisões dos pecuaristas em ciclos anteriores, e a interrupção das importações de gado mexicano há cerca de dois anos, adotada pelos Estados Unidos em função de questões sanitárias. Para ele, a solução do problema mexicano representa uma mudança importante no cenário, ainda que a reconstrução do rebanho americano demande mais tempo. A JBS espera se manter em um ciclo favorável para seus negócios na Austrália nos próximos dois a três anos, afirmou o CEO global da companhia, Gilberto Tomazoni.
Todas as operações australianas estão apresentando bom desempenho, apesar de efeitos cambiais e das condições climáticas adversas no país. "Estamos no meio do ciclo. Teremos dois, três anos muito positivos para o nosso negócio", disse Tomazoni. O executivo afirmou que a seca registrada na Austrália afetou as condições para o gado e limitou a capacidade da companhia de melhorar a produção no segundo trimestre. A JBS Austrália teve receita de US$ 2,6 bilhões no segundo trimestre, alta de 30%, e Ebitda de US$ 218 milhões, queda de 12,8%, afetada, entre outros fatores, pelo aumento de 24% nos custos do gado. Segundo Tomazoni, os resultados da operação australiana ficaram abaixo dos registrados no mesmo período do ano passado, com questões cambiais e o clima entre os fatores que contribuíram para a diferença. Apesar disso, ele avaliou que os negócios seguem em trajetória positiva “Todos os negócios na Austrália estão indo bem”, disse. Tomazoni também destacou a joint venture formada pela JBS com o fundo soberano da Indonésia, que buscará ampliar a presença da companhia na região, com oportunidades de crescimento na Austrália e em mercados da Ásia. Fonte: Broadcast Agro.