11/Aug/2026
Segundo o Bradesco, a redução das compras chinesas de carne bovina tende a pressionar o preço do boi gordo no curto prazo, mas não deve alterar a trajetória estruturalmente altista do mercado. Em São Paulo, o boi gordo deve se manter próximo de R$ 340,00 por arroba até setembro, mas deve haver retomada firme das cotações após esse período, com a volta das compras chinesas e uma nova corrida dos frigoríficos pela cota de 2027. A avaliação considera que o mercado terá de absorver cerca de 145 mil toneladas mensais de carne bovina que, no cenário anterior, seriam destinadas à China. O ajuste ocorrerá por uma combinação de redução dos abates, maior consumo doméstico e redistribuição das exportações. Do volume mensal de aproximadamente 145 mil toneladas originalmente destinado ao mercado chinês, cerca de 60 mil toneladas poderiam ser absorvidas pelo mercado interno, 35 mil toneladas por meio da redução dos abates, 30 mil toneladas por outros mercados e 20 mil toneladas ainda seguiriam para a China.
O ponto central da análise é que o ajuste tende a ocorrer inicialmente pela oferta e pelos preços, e não apenas pela abertura imediata de novos mercados. Com frigoríficos reduzindo escalas e adotando férias coletivas entre julho e agosto, a demanda por bovinos terminados tende a diminuir, pressionando a arroba. Ao mesmo tempo, a queda dos preços da carne no mercado interno pode estimular o consumo e contribuir para a absorção de parte do excedente. O Bradesco estima que a disponibilidade doméstica, atualmente em torno de 600 mil toneladas por mês, poderia crescer cerca de 10% sem necessariamente provocar desequilíbrio, desde que haja estímulo por meio dos preços. Nesse cenário, o preço passa a ser o principal mecanismo de equilíbrio do mercado. A dificuldade de encontrar rapidamente destinos para todo o excedente tende a provocar um ajuste de preços ao longo da cadeia, mas esse movimento encontra limites na menor oferta de bovinos disponíveis, decorrente da inversão do ciclo pecuário brasileiro, e no cenário global de oferta restrita de carne bovina.
Essa combinação leva o Bradesco a considerar a assimetria de preços fundamentalmente altista. As boas condições das pastagens no Centro-Oeste ajudam a sustentar a oferta no curto prazo, mas não eliminam a tendência de menor disponibilidade de bovinos. Assim, após a janela de ajuste entre julho e setembro, a expectativa é de retomada da disputa dos frigoríficos pelo gado, coincidindo com a reabertura efetiva do mercado chinês. No mercado externo, os Estados Unidos são apontados como a principal alternativa para a carne brasileira, mas não como uma solução capaz de substituir a China. O Brasil exportou, em média, 34 mil toneladas mensais para os Estados Unidos no primeiro semestre e precisaria elevar esse volume em quase cinco vezes para que o mercado norte-americano absorvesse sozinho as 140 mil toneladas mensais que precisam ser realocadas. Os Estados Unidos devem ter papel relevante nesse processo, mas dificilmente serão o único destino. A perspectiva é favorável para a demanda norte-americana. O ciclo pecuário dos Estados Unidos ainda está em fase inicial de recomposição do rebanho. Entre janeiro e maio, o abate norte-americano caiu 9%, a produção recuou 6,5%, as exportações diminuíram 18% e as importações cresceram 20%.
Além disso, quase metade do consumo de carne bovina nos Estados Unidos está concentrada em carne moída e hambúrgueres, segmento que demanda cortes magros, justamente uma das principais categorias exportadas por Brasil e Austrália. O Brasil, contudo, terá de disputar esse espaço com a Austrália, que também registra aumento da oferta. Os abates australianos crescem 13% em 2026 e as exportações avançam 14%, impulsionadas principalmente pelos mercados norte-americano e chinês. Com a Austrália igualmente afetada pela tarifação chinesa, os dois grandes exportadores terão de disputar destinos alternativos para sua produção. Nesse cenário, há pouco espaço para uma solução por meio de triangulação via Argentina e Uruguai. Diferenças nos padrões de consumo e nos tipos de animais dificultam uma substituição em larga escala, enquanto a infraestrutura logística também pode limitar um aumento repentino dos embarques desses países para a China. O fluxo via Hong Kong é considerado viável, mas insuficiente para solucionar o excedente. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.