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11/Aug/2026

Carnes: governo espera reverter restrições da UE

Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, o governo brasileiro está otimista com a possibilidade de reverter parte relevante das restrições que podem atingir as exportações de produtos de origem animal para a União Europeia e mantém negociações em diferentes níveis com o bloco. Paralelamente, diante das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, o governo defende a diversificação dos destinos das exportações brasileiras, sem reduzir a importância de mercados estratégicos. As negociações com a União Europeia começaram no âmbito técnico, com reuniões entre a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e a Direção-Geral de Saúde e Segurança dos Alimentos da Comissão Europeia, e avançaram para outras instâncias do governo diante da proximidade da entrada em vigor das novas exigências, prevista para 3 de setembro.

O Ministério da Agricultura informou, em 23 de julho, que as tratativas técnicas com a União Europeia sobre requisitos para o controle do uso de antimicrobianos na produção animal permaneciam em andamento e que, até então, as autoridades europeias não haviam apresentado manifestação conclusiva sobre a documentação encaminhada pelo Brasil. O governo brasileiro afirma que não solicitou flexibilização das normas e pretende atender integralmente às exigências do bloco. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes de outras áreas do governo passaram a participar diretamente das negociações. O vice-presidente Geraldo Alckmin também atua nas tratativas relacionadas à União Europeia e aos Estados Unidos.

No caso norte-americano, as novas barreiras reforçam a necessidade de reduzir a dependência de mercados específicos, mesmo que considerados estratégicos. Em julho, o governo dos Estados Unidos publicou duas medidas baseadas na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, com sobretaxas adicionais de 25% e 12,5% sobre parcelas das importações originárias do Brasil. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as duas medidas combinadas alcançam 23,1% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, enquanto 52,7% permanecem sem tarifas adicionais setoriais ou específicas. A estratégia de diversificação vem sendo conduzida por meio da abertura de novos mercados. O governo alcançou 674 novas aberturas desde o início do atual mandato e pretende chegar a 700 até o fim de 2026.

Dados do Ministério da Agricultura mostram que eram 507 aberturas até o fim de 2025, 639 em 9 de junho e 660 em 30 de julho. Apesar da busca por novos destinos, Estados Unidos e União Europeia continuam sendo mercados relevantes para o agronegócio brasileiro, e o governo mantém as negociações com os dois blocos. As tratativas envolvem de forma transversal os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores, as representações diplomáticas e a Presidência da República. O vice-presidente Geraldo Alckmin, responsável pelas negociações comerciais com os dois blocos, mantém a defesa do diálogo como caminho para solucionar as restrições comerciais. A estratégia do governo é preservar a interlocução mesmo diante das tarifas consideradas injustas pelo Brasil, evitando o rompimento das negociações com os mercados norte-americano e europeu. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.