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10/Aug/2026

Carnes: estratégias divergentes de cadeias em 2026

As cadeias brasileiras de proteína animal apresentam trajetórias distintas em 2026, com a avicultura sustentada pelo avanço das exportações, a suinocultura pressionada pelo excesso de oferta e pelo consumo doméstico mais fraco e a bovinocultura ampliando a busca por mercados externos. O movimento começa a assumir características estruturais, com impactos sobre investimentos, margens, estratégias comerciais e agenda sanitária do setor. Na avicultura, os preços do frango iniciaram agosto em queda, refletindo a demanda mais fraca no fim de julho. A perspectiva, contudo, é de recuperação sustentada pelo desempenho das exportações, que seguem como principal vetor de expansão da cadeia. A exclusão do filé fresco de tilápia brasileiro da sobretaxa de 25% dos Estados Unidos também reforça a percepção de que proteínas brasileiras permanecem relevantes na estratégia comercial norte-americana.

O ambiente favorável às exportações tem estimulado novos investimentos. A Lar, por exemplo, captou R$ 60,3 milhões para expansão das atividades de avicultura e armazenagem, indicando continuidade do movimento de ampliação da capacidade produtiva mesmo em um cenário de pressão sobre parte dos preços domésticos. Na suinocultura, o cenário é oposto. O preço do suíno vivo em São Paulo atingiu o terceiro menor valor da série histórica do Cepea e acumula queda de 43% desde dezembro. A combinação de oferta elevada e consumo doméstico enfraquecido reduz as margens dos produtores e, caso persista, pode acelerar a consolidação do setor e aumentar a pressão sobre contratos de integração e sobre a estrutura de custos da cadeia.

Na bovinocultura, a estratégia está mais concentrada na abertura e ampliação de mercados externos. O Marrocos suspendeu até dezembro de 2026 as tarifas de importação sobre carnes bovina, ovina, caprina e de camelo, além de animais vivos de espécies ovina, o que amplia as oportunidades comerciais para o Brasil em um momento de menor dinamismo do mercado doméstico. No segmento industrial, a estratégia de agregação de valor ganha espaço como alternativa para ampliar margens em um ambiente de preços mais comprimidos no elo primário. A aposta da Vibra Foods em produtos de maior valor agregado após a recompra pela Tyson reforça o movimento de reposicionamento das empresas e de busca por maior rentabilidade ao longo da cadeia.

O rearranjo das cadeias de proteína também ocorre em meio a mudanças no ambiente regulatório. O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou solução consensual para regularizar processos anteriores à Lei do Autocontrole, com potencial para simplificar procedimentos de conformidade sanitária e regulatória no setor. O cenário evidencia que as cadeias de proteína animal ingressam em 2026 com estratégias cada vez mais diferenciadas. Enquanto a avicultura encontra nas exportações um importante vetor de sustentação da produção, a suinocultura enfrenta a necessidade de ajuste diante do excesso de oferta e da fragilidade do consumo interno. Na bovinocultura, a abertura de novos destinos e a diversificação dos mercados tornam-se instrumentos relevantes para compensar limitações da demanda doméstica. Fonte: Agrimídia. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.