10/Aug/2026
A Justiça do Paraná aceitou o pedido de recuperação judicial da BMG Foods e de outras três empresas do Grupo BMG, permitindo o início do processo de reestruturação financeira do conglomerado. Na prática, a decisão autoriza o andamento da recuperação judicial, nomeia um administrador judicial e abre prazo para que a companhia apresente um plano de pagamento aos credores. O grupo informou dívidas sujeitas ao processo de R$ 3,543 bilhões. O pedido envolve a BMG Foods Importação e Exportação, o Frigorífico Vila Bela, a BMG Tecnologia em Informação e a Arista Créditos e Cobranças. Na ação, as empresas afirmam integrar a operação brasileira do Grupo Concepción e dizem concentrar no Paraná a maior parte de seus ativos e operações. São seis plantas frigoríficas distribuídas por Paraná, Santa Catarina, Rondônia, Mato Grosso e Acre, com capacidade anual de abate de cerca de 1 milhão de bovinos e 550 mil suínos, além de aproximadamente 1.700 empregados diretos.
Na petição, as empresas atribuem a crise financeira à "reversão do ciclo pecuário (alta histórica do preço do boi gordo)", à "queda de mais de 40% no preço do suíno vivo", à retração das exportações em razão de barreiras e tarifas impostas por mercados como Estados Unidos, China e União Europeia, além da valorização do Real, restrição ao crédito, inadimplência de clientes e 1.521 títulos protestados, que somam R$ 46,7 milhões. Na decisão, a juíza Mariana Gluszcynski Fowler Gusso determinou que Copel, Celesc e Energisa mantenham o fornecimento de energia elétrica e que a Supergasbras preserve o fornecimento de gás em relação às faturas vencidas antes do pedido de recuperação judicial. O pedido envolvendo a Liquigás não foi acolhido porque a empresa não consta da relação de credores. A magistrada também proibiu que fornecedores e credores rescindam contratos ou antecipem vencimentos apenas em razão do pedido de recuperação, por entender que isso comprometeria a continuidade das atividades da empresa. A Justiça ainda determinou a liberação dos documentos de embarque de uma carga de carne suína destinada à África do Sul, avaliada em cerca de US$ 140 mil, para evitar prejuízos decorrentes da retenção da mercadoria perecível.
Em relação às retenções de aproximadamente R$ 13,6 milhões realizadas por Bradesco, Banco Fibra e RED Asset, a juíza determinou que as instituições financeiras se manifestem em até 48 horas antes de decidir sobre o pedido apresentado pelas empresas. A decisão nomeou o escritório Brazilio Bacellar e Shirai Advogados como administrador judicial e concedeu prazo de 60 dias para a apresentação do plano de recuperação judicial. Também suspendeu ações e execuções contra as empresas, observadas as exceções previstas na legislação, e abriu prazo de 15 dias para que credores apresentem habilitações ou divergências de créditos. O Grupo BMG afirmou que "com o deferimento do processamento da Recuperação Judicial, o Grupo BMG segue com suas operações normalmente". Segundo a empresa, a decisão "garante o ambiente necessário para a reorganização, nos termos da legislação, das obrigações da companhia", que apresentará seu Plano de Recuperação Judicial dentro do prazo fixado pela Justiça. Fonte: Broadcast Agro.