07/Aug/2026
O comércio exterior brasileiro de lácteos registrou aumento simultâneo nas importações e exportações em julho, com forte avanço das compras externas e ampliação do déficit da balança comercial do setor. As importações totalizaram 230 milhões de litros em equivalente-leite, representando o segundo maior volume já registrado para o mês de julho em toda a série histórica, atrás apenas do resultado observado em 2024. Na comparação com junho, as compras externas cresceram 9,0% e, ante julho de 2025, avançaram 33,9%. O desempenho reflete a competitividade dos produtos importados frente aos nacionais, favorecida pela maior disponibilidade de leite no Mercosul e pela oferta regional de derivados.
Com o aumento das importações, o saldo da balança comercial brasileira de lácteos apresentou déficit de 224,9 milhões de litros em equivalente-leite em julho, resultado inferior ao registrado no mês anterior. Entre os principais produtos importados, o leite em pó integral apresentou crescimento de 5% no volume adquirido em relação a junho. O leite em pó desnatado teve alta de 13%, enquanto as compras de queijos avançaram 13%. A muçarela registrou expansão de 23,9% no volume importado, mantendo destaque entre os produtos adquiridos no exterior. As exportações brasileiras de lácteos alcançaram 5,1 milhões de litros em equivalente-leite em julho, com crescimento de 17,2% frente ao mês anterior.
Apesar da recuperação mensal, o volume embarcado permaneceu 5,2% abaixo do registrado em julho de 2025, indicando perda de competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. Entre os itens exportados, a manteiga apresentou alta de 70% no volume embarcado em relação a junho. Os embarques de cremes de leite cresceram 87%, enquanto as exportações de leite condensado avançaram 58%. O soro de leite manteve a liderança da pauta exportadora, com crescimento de 17% no volume e participação equivalente a 36% dos embarques totais de lácteos no mês. Para os próximos meses, o mercado deve continuar acompanhado pela evolução da oferta de leite no Mercosul, dos preços internacionais, das condições cambiais e da competitividade dos produtos estrangeiros.
Caso os lácteos importados permaneçam atrativos, a tendência é de manutenção de volumes elevados de compras externas. Apesar do aumento pontual das exportações em julho, os embarques brasileiros ainda permanecem abaixo do patamar observado no mesmo período do ano anterior. No mercado interno, preços elevados de alguns derivados, como a muçarela, indicam que a demanda segue sustentada, enquanto a dinâmica das importações continuará sendo um fator relevante para a formação das cotações domésticas. Fonte: MilkPoint. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.