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04/Aug/2026

Leite: produção mundial crescerá 2% ao ano até 2035

Segundo projeções do relatório Agricultural Outlook 2026-2035, elaborado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a produção mundial de leite deverá crescer, em média, 2,0% ao ano na próxima década, alcançando 1,223 bilhão de toneladas em 2035. O avanço será sustentado principalmente pelo aumento da produtividade dos rebanhos, impulsionado por melhorias genéticas, nutrição animal, manejo e adoção de tecnologias, enquanto a expansão do número de vacas deverá ocorrer de forma mais concentrada em regiões como África Subsaariana, Índia e Paquistão. A Índia permanecerá como principal motor do crescimento da produção mundial, respondendo por mais da metade da expansão prevista até 2035.

O aumento da oferta será direcionado, predominantemente, ao abastecimento do mercado doméstico, refletindo o crescimento populacional, a urbanização e o aumento da renda. Situação semelhante é projetada para o Paquistão, reduzindo os impactos desse incremento sobre o comércio internacional. Entre os principais exportadores, a dinâmica será distinta. A União Europeia deverá registrar produção praticamente estável, em função da redução do rebanho leiteiro e da ampliação de sistemas de produção orgânica, caracterizados por menor produtividade. Nos Estados Unidos, o crescimento será sustentado pelos elevados índices de produção por vaca, ampliando a disponibilidade de leite para fabricação e exportação de leite em pó desnatado. Na Nova Zelândia, a produção deverá avançar cerca de 1% ao ano, limitada pela disponibilidade de terras, mantendo o foco na eficiência das pastagens e nas exportações. No consumo, os produtos lácteos frescos continuarão predominando nos países de renda média e baixa.

Nas economias de maior renda, a demanda tende a migrar para produtos com maior teor de proteína, como iogurtes e queijo cottage, além de ampliar o consumo de produtos com maior teor de gordura láctea. Esse movimento deverá sustentar maior valorização da manteiga em relação ao leite em pó desnatado no mercado internacional. Os produtos industrializados continuarão desempenhando papel estratégico no comércio global, especialmente os leites em pó destinados à indústria alimentícia, fórmulas infantis e reconstituição de lácteos, além do soro de leite em pó, cuja utilização cresce nos segmentos de nutrição especializada. O comércio internacional deverá permanecer restrito a menos de 7% da produção mundial de leite, em razão da perecibilidade do produto e dos custos logísticos. União Europeia, Estados Unidos e Nova Zelândia continuarão concentrando aproximadamente 70% das exportações globais de queijo, manteiga e leites em pó.

Entre os importadores, a China deverá manter a liderança nas compras internacionais de lácteos, embora com desaceleração nas importações de leite em pó integral em função do crescimento da produção doméstica. A África, por outro lado, deverá ampliar significativamente as importações de leite em pó para atender ao crescimento da demanda interna, superior ao avanço esperado da produção regional. As projeções permanecem condicionadas a fatores de risco, como volatilidade dos preços, políticas comerciais, exigências ambientais, eventos climáticos extremos, doenças animais, disponibilidade de mão de obra e expansão de bebidas de origem vegetal. Em contrapartida, a adoção de tecnologias como ordenha automatizada, monitoramento em tempo real e ferramentas de gestão poderá elevar a produtividade global além dos níveis atualmente projetados. Fonte: OCDE-FAO Agricultural Outlook 2026-2035. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.