31/Jul/2026
O mercado brasileiro de sorvetes, que movimenta mais de R$ 14 bilhões por ano e reúne cerca de 11 mil empresas, passa por um processo de transformação impulsionado pela evolução do perfil do consumidor, pelo avanço tecnológico e pelas mudanças climáticas. As perspectivas de expansão permanecem favoráveis, com projeções de crescimento de até 50% até 2033. A preferência do consumidor brasileiro permanece concentrada nos sorvetes de massa e no consumo em sorveterias, que representam 69,6% das compras. Embora os sabores tradicionais, como chocolate, morango e creme, continuem liderando as vendas, a indústria tem direcionado investimentos para atender novas demandas relacionadas à saudabilidade, transparência na composição dos produtos e diferenciação de texturas, formatos e experiências de consumo.
Dados da pesquisa Mintel/Kantar indicam que os consumidores priorizam produtos com ingredientes reconhecíveis e benefícios funcionais. Entre os principais atributos valorizados estão produtos com ingredientes classificados como clean label, citados por 87% dos consumidores, seguidos por produtos com características funcionais, mencionados por 84%, e opções enriquecidas com proteínas, apontadas por 81% dos entrevistados. Segundo a DR Aromas e Ingredientes, a tendência de consumo associada ao conceito de wellness consolidou um movimento de indulgência permissiva, no qual o consumidor busca conciliar sabor e benefícios nutricionais. Como resposta a essa demanda, a empresa desenvolveu ingredientes destinados à produção de sorvetes com menor teor de gordura saturada, permitindo a redução de alegações nutricionais negativas nos rótulos e ampliando a oferta de sobremesas com perfil mais saudável.
A empresa informou que realiza investimentos nessa linha de produtos há cerca de dez anos. Outro tema de destaque é o comportamento da Geração Z, caracterizada pela valorização de experiências visuais e sensoriais. Embora sabores inovadores e tendências momentâneas sejam importantes para atrair consumidores, aproximadamente 60% do portfólio das sorveterias deve permanecer composto pelos sabores líderes de mercado. O chocolate continua sendo o principal sabor em volume de vendas, enquanto combinações com novos ingredientes são utilizadas para estimular o interesse do público mais jovem e ampliar o apelo dos produtos nas redes sociais. Como tendências, pode-se citar novos sabores e combinações premium, incluindo sorvete de cocada de forno e formulações com pasta de mascarpone e pasta de tiramisù, evidenciando o movimento de diversificação do portfólio voltado ao segmento de maior valor agregado.
A sazonalidade do consumo nos meses de inverno é um dos principais desafios do setor. As estratégias incluem a ampliação das ocasiões de consumo por meio de produtos como affogato e harmonizações entre sorvetes e vinhos, buscando reduzir os efeitos da queda sazonal da demanda. Outro fator relevante para o desenvolvimento do mercado é a evolução do perfil das famílias brasileiras. Com a média de moradores por domicílio reduzida para três pessoas e 18% dos lares compostos por apenas um morador, cresce a demanda por embalagens menores e por porções individuais. Esse movimento, aliado à busca por maior controle das porções e aos hábitos associados ao wellness, fortalece o fenômeno da snackfication, caracterizado pelo consumo de pequenas porções como alternativa de lanche rápido, ampliando a importância estratégica do desenvolvimento de embalagens funcionais e de menor volume. Fonte: MilkPoint. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.