20/Jul/2026
O confinamento bovino deverá manter margens elevadas no terceiro trimestre de 2026, impulsionado pela expectativa de redução dos custos da alimentação animal com o avanço da colheita da 2ª safra de milho e da safra de cana-de-açúcar. A projeção consta da análise trimestral do Índice de Custo Alimentar Ponta (Icap), que indica melhora na competitividade da atividade, especialmente em função da redução dos custos das dietas de terminação. Segundo o estudo, a colheita da 2ª safra de milho de 2026 tende a ampliar o alívio sobre os custos dos ingredientes energéticos, principalmente na Região Centro-Oeste. Na Região Sudeste, o avanço da moagem de cana-de-açúcar deverá elevar a disponibilidade de bagaço de cana-de-açúcar para utilização nas dietas dos bovinos confinados, fortalecendo a competitividade regional. Como fatores de atenção para o trimestre, o levantamento destaca a acomodação das cotações da arroba do boi gordo observada em junho e a elevação do custo de reposição dos bovinos.
O relatório também ressalta que a valorização do dólar favorece as exportações brasileiras de carne bovina, mas pode estimular os embarques de milho e reduzir a oferta doméstica do cereal, pressionando novamente os custos da alimentação. A análise aponta uma mudança estrutural na dinâmica econômica do confinamento. Se nos últimos anos a rentabilidade esteve fortemente associada à valorização da arroba do boi gordo, a eficiência produtiva e a gestão dos custos alimentares passaram a exercer papel mais relevante na formação das margens. Entre junho de 2024 e junho de 2026, a participação da alimentação no custo da arroba produzida recuou de 89,1% para 51,4% na Região Centro-Oeste e de 76,4% para 51,3% na Região Sudeste, evidenciando o ganho de eficiência operacional. Os resultados do segundo trimestre reforçam esse movimento.
O Icap médio atingiu R$ 13,03 por cabeça ao dia no Centro-Oeste, redução de 12,8% em relação ao mesmo período de 2025. No Sudeste, o índice ficou em R$ 11,96 por cabeça ao dia, representando a menor média trimestral da série histórica da região desde o quarto trimestre de 2024. Mesmo com a valorização do boi magro e a acomodação das cotações da arroba, a lucratividade permaneceu superior a R$ 1 mil por cabeça nas duas regiões. No Centro-Oeste, o lucro médio alcançou R$ 1.046,32 por cabeça, recuo de 4,0% frente ao primeiro trimestre. No Sudeste, a rentabilidade avançou 1,9%, atingindo R$ 1.112,05 por cabeça. A Região Centro-Oeste registrou redução de 4,03% no custo da dieta de terminação entre abril e junho, favorecida pelo avanço da colheita da 2ª safra de milho de 2026 e pela queda dos preços de insumos como milho, casca de algodão e silagem de milho.
Na Região Sudeste, o custo da dieta encerrou junho 0,91% abaixo do observado em abril, sustentado pela redução dos preços dos ingredientes proteicos e pela maior oferta de coprodutos agroindustriais, mesmo diante da valorização do milho. O preço do boi gordo perdeu força ao longo do segundo trimestre sem comprometer a rentabilidade do confinamento. No Centro-Oeste, a cotação recuou de R$ 346,00 por arroba em abril para R$ 323,50 por arroba em junho, enquanto a lucratividade permaneceu próxima de R$ 1.050,00 por cabeça. No Sudeste, a arroba caiu de R$ 351,00 para R$ 331,50, mantendo margens superiores a R$ 1 mil durante todo o período. Em abril, a relação de troca na região atingiu recorde histórico de 29,18 dias de alimentação por arroba comercializada, reforçando os ganhos de eficiência observados ao longo do trimestre. A eficiência produtiva passou a compensar parte da redução da receita obtida com a venda dos bovinos, consolidando um novo perfil de rentabilidade para o confinamento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.