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20/Jul/2026

Leite: preço pago ao produtor se mantém estável

O preço do leite pago ao produtor em maio de 2026 apresentou estabilidade na “Média Brasil” (Goiás, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina). O valor médio ficou em R$ 2,6617 por litro, com leve recuo de 0,45% em relação a abril e queda real de 3,8% na comparação com maio de 2025, considerando a correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O comportamento dos preços foi distinto entre as regiões produtoras. Nas Regiões Sudeste e no Centro-Oeste, as cotações permaneceram sustentadas pela menor disponibilidade de matéria-prima, influenciada pela sazonalidade e pelos investimentos reduzidos pelos produtores após margens mais apertadas em 2025. Esse cenário manteve a disputa entre os laticínios pela compra de leite cru.

Na Região Sul do País, a situação foi diferente. As condições climáticas favoráveis, a melhoria das pastagens de inverno e a recuperação da produção elevaram a oferta regional, pressionando os valores pagos aos produtores. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) avançou 0,07% entre abril e maio na Média Brasil. Apesar da estabilidade mensal, o indicador acumula queda de 13,7% em 2026, refletindo a menor disponibilidade de leite no mercado. Os custos de produção também apresentaram estabilidade em junho. O Custo Operacional Efetivo (COE) permaneceu praticamente inalterado na Média Brasil e acumula alta de 2,04% no primeiro semestre.

Apesar da redução nos preços do milho e do farelo de soja, o período de clima mais seco elevou a demanda por alimentos concentrados, mantendo a pressão sobre os custos. Em São Paulo, no atacado, os movimentos dos preços dos lácteos foram diferentes entre os produtos. A muçarela e o leite em pó permaneceram praticamente estáveis, com pequenas variações positivas, enquanto o leite UHT registrou queda de 3,07% em relação a maio. A retração da demanda, especialmente durante o período de férias escolares, contribuiu para o enfraquecimento das vendas. No comércio exterior, as importações e exportações brasileiras de lácteos recuaram em junho.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam queda de 4,17% no volume importado e redução de 22,75% nas exportações em comparação com maio. Com isso, o déficit em volume da balança comercial de lácteos diminuiu 3,7%, encerrando o mês em 212,3 milhões de litros equivalentes. O mercado lácteo brasileiro entra em uma fase de maior equilíbrio no curto prazo. A combinação entre estoques reduzidos em algumas empresas, disputa por matéria-prima em determinadas regiões e expectativa de oferta mais restrita mantém a possibilidade de reajustes positivos nas próximas semanas. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.