17/Jul/2026
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a indústria brasileira de carne bovina passa por um processo de adaptação diante da nova configuração da demanda chinesa, após a adoção de medidas de salvaguarda pela China que elevaram os custos de acesso ao mercado para a proteína brasileira. O setor saiu de um cenário de forte produção e elevada demanda externa para uma realidade de maior oferta e menor ritmo de compras chinesas. As medidas chinesas incluem uma sobretaxa de 55% sobre a carne bovina importada, além de uma alíquota adicional de 12%, tornando economicamente inviável parte das operações de exportação. A redução das vendas para a China deve representar uma retração de aproximadamente 35% no volume destinado ao mercado asiático durante o período de vigência das restrições, estimado em três anos. A entidade projeta impacto financeiro de US$ 3,2 bilhões para a indústria brasileira em 2026, considerando a redução das exportações para a China.
No ano anterior, o Brasil embarcou 1,65 milhão de toneladas de carne bovina para o mercado chinês, enquanto a expectativa para este ano é de redução de cerca de 600 mil toneladas nesse fluxo. O mercado chinês permanece aberto, mas as novas condições tarifárias reduzem a competitividade da carne brasileira. O País está próximo do encerramento do volume de sua cota isenta de tarifas, o que deve limitar ainda mais o ritmo das exportações ao principal destino da proteína bovina brasileira. Não há negociação em andamento para redistribuição ao Brasil de cotas destinadas a outros países. A China não sinalizou possibilidade de cancelamento ou transferência de volumes, o que leva a indústria a trabalhar com o cenário atual de menor demanda e necessidade de ajuste da produção nacional. As exportações brasileiras de carne bovina para a China devem totalizar entre 850 mil e 900 mil toneladas em 2026.
Cerca de 300 mil toneladas embarcadas no ano passado foram contabilizadas na cota brasileira deste ano. Com isso, a retração efetiva pode alcançar pelo menos 700 mil toneladas em relação ao desempenho anterior. Outros mercados não possuem capacidade suficiente para compensar integralmente a redução das vendas para a China. Embora alguns destinos apresentem crescimento, o aumento das compras por outros países não deve neutralizar a perda de volume do principal mercado consumidor. Além da menor demanda chinesa, o setor enfrenta incertezas relacionadas ao fornecimento para a União Europeia e ao comportamento da demanda global por proteína vermelha. Nesse cenário, a Abiec projeta queda de 10% no volume exportado de carnes em 2026, após o Brasil ter embarcado 3,5 milhões de toneladas e obtido receita de US$ 18 bilhões em 2025.
No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras ainda registraram aceleração das vendas para a China em função do cumprimento da cota disponível, além de crescimento dos embarques para Estados Unidos, Chile, Rússia, México, Filipinas, Indonésia e Hong Kong. Para o segundo semestre, a expectativa é de desaceleração dos negócios internacionais. Com a redução das vendas externas, algumas indústrias já adotaram medidas de ajuste operacional, como férias coletivas e redução temporária de atividades. As empresas apresentam diferentes níveis de exposição ao mercado externo e ao mercado doméstico, além de distintas condições financeiras, o que deve resultar em estratégias individuais de adaptação. A entidade também prevê possibilidade de aumento de movimentos de fusões e aquisições no setor, diante da necessidade de reestruturação das empresas para enfrentar um ambiente de menor demanda internacional e maior pressão sobre as margens. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.