15/Jul/2026
A Sociedade Rural Brasileira (SRB) defende que o Brasil priorize a abertura de mercados de maior valor agregado, como o Japão, e preserve a competitividade da cadeia da carne bovina ao evitar restrições nacionais ao uso de antimicrobianos motivadas por exigências específicas da União Europeia. Mudanças regulatórias destinadas a atender um único mercado não devem comprometer toda a produção nacional. As exigências sanitárias devem ser atendidas de forma específica para cada destino, sem a adoção de restrições internas que reduzam a competitividade do setor.
Adaptações para atender às normas europeias devem permanecer restritas às cadeias destinadas àquele mercado, considerando a menor participação da União Europeia nas exportações brasileiras de carne bovina. A entidade também defende que o debate sobre antimicrobianos seja tratado separadamente dos sistemas de rastreabilidade da produção. Segundo a SRB, mecanismos como o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov), a Guia de Trânsito Animal (GTA) e auditorias em propriedades contribuem para ampliar o controle da cadeia, mas os antimicrobianos não estão associados a falhas sanitárias e são utilizados há décadas para garantir eficiência produtiva, inclusive na carne destinada ao mercado chinês.
A China permanece como principal destino da carne bovina brasileira, com importações próximas de 1,7 milhão de toneladas em 2025 e receita de US$ 8,8 bilhões, valor superior ao dobro do registrado pelas vendas para a União Europeia. A União Europeia estabeleceu, em 2019, e reforçou em 2023, o cronograma para novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal, com entrada em vigor prevista para 3 de setembro. Eventuais adequações não devem resultar em alterações amplas na legislação brasileira que transfiram ao produtor rural custos relacionados exclusivamente ao atendimento de um mercado específico.
A entidade também defende maior concentração de esforços na abertura do mercado japonês para a carne bovina brasileira. Além do potencial comercial, o acesso ao Japão representa reconhecimento da qualidade sanitária da produção nacional e pode fortalecer a credibilidade do Brasil junto a outros compradores internacionais. A avaliação é de que o cenário atual favorece o avanço das negociações, diante dos preços elevados da carne nos Estados Unidos e da necessidade japonesa de diversificar fornecedores.
O processo de abertura do mercado avançou após o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação e após auditorias e missões técnicas realizadas pelo governo japonês. A ampliação da presença brasileira em mercados de maior valor agregado é estratégica para fortalecer a competitividade da pecuária nacional, preservando as características produtivas que colocaram o País entre os principais fornecedores globais de proteína animal. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.