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14/Jul/2026

Boi: preço pode subir no mercado físico no fim do ano

O mercado do boi gordo atravessa um período de pressão sobre os preços, com frigoríficos adotando postura mais cautelosa, negociações travadas e menor ritmo de compras externas após o praticamente esgotamento da cota brasileira de exportação de carne bovina para a China em 2026, estimada em 1,1 milhão de toneladas. Apesar do recuo observado nas principais praças pecuárias, consultorias indicam que o movimento atual tem caráter conjuntural e que os fundamentos apontam para possível recuperação da arroba no segundo semestre, especialmente no último trimestre. A pressão baixista ocorre em um ambiente de maior disponibilidade de animais terminados, principalmente em razão da necessidade de comercialização por parte dos pecuaristas diante das condições das pastagens e do avanço dos confinamentos.

Ao mesmo tempo, os frigoríficos mantêm escalas relativamente curtas, mas continuam pressionando as cotações em meio ao ajuste da demanda externa e ao consumo doméstico ainda limitado. A redução temporária do ritmo das exportações para a China, principal destino da carne bovina brasileira, também contribui para o enfraquecimento das negociações. Com a cota de importação praticamente preenchida, algumas indústrias passaram a operar com maior capacidade ociosa e ajustaram suas programações de abate. No entanto, a expectativa é de retomada das compras chinesas com a abertura da nova cota de exportação em 2027. Os preços da arroba seguem pressionados nas principais regiões produtoras. Apesar da pressão no mercado físico, os contratos futuros negociados na B3 indicam expectativa de recuperação, com valores acima do mercado disponível.

O contrato com vencimento em agosto chegou a R$ 338,90 por arroba, sinalizando percepção de melhora das condições de oferta e demanda nos próximos meses. Entre os fatores que podem sustentar uma recuperação da arroba estão a redução da participação de fêmeas nos abates, a retenção de matrizes durante a estação de monta, a menor oferta de bovinos terminados ao longo do segundo semestre, a continuidade da demanda dos Estados Unidos e a expectativa de retomada das compras chinesas. No mercado interno, a geração de empregos temporários e o aumento da circulação de renda no fim do ano também podem favorecer o consumo de carne bovina durante o período de festas.

As exportações permanecem como importante suporte ao setor. Nos três primeiros dias úteis de julho, o Brasil embarcou 45,17 mil toneladas de carne bovina, com receita de US$ 288,3 milhões. Em relação ao mesmo período do ano anterior, houve aumento de 25,1% no volume médio diário exportado, avanço de 43,9% na receita média diária e alta de 15% no preço médio da tonelada. O mercado pode inverter a trajetória atual ao longo do segundo semestre, com menor disponibilidade de animais, retomada gradual da demanda internacional e fortalecimento sazonal do consumo doméstico. Caso esses fatores se confirmem, o boi gordo poderá superar a máxima registrada no ano em São Paulo, de R$ 360,00 por arroba. Fonte: Compre Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.