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08/Jul/2026

Carnes: atraso regulatório eleva risco comercial à UE

As novas exigências regulatórias da União Europeia para o uso de antimicrobianos na produção animal evidenciam a crescente importância da adequação antecipada às normas sanitárias e de rastreabilidade para a manutenção da competitividade internacional da agropecuária brasileira. A partir de setembro, o bloco europeu poderá suspender as importações de carne bovina, carne de frango, pescado e mel do Brasil em razão da ausência de garantias consideradas suficientes para comprovar o cumprimento das regras estabelecidas em 2023. O governo brasileiro iniciou, a partir de 2025, negociações diplomáticas e a implementação de um novo protocolo de certificação para atender às exigências europeias.

A iniciativa busca demonstrar conformidade com os requisitos relativos ao uso de antimicrobianos e preservar o acesso ao mercado europeu, embora o intervalo entre a publicação das normas e a adoção das medidas tenha reduzido a capacidade de resposta do setor diante do cronograma estabelecido pela União Europeia. Enquanto o Brasil iniciou o processo de adaptação posteriormente, outros países do Mercosul, como Argentina, Uruguai e Paraguai, promoveram ajustes mais rapidamente em suas cadeias produtivas, mantendo as condições necessárias para continuar exportando ao mercado europeu.

O protocolo em implantação acompanha todas as etapas da cadeia produtiva e busca atender não apenas às atuais exigências da União Europeia, mas também a outros requisitos que vêm sendo incorporados pelos mercados internacionais de maior rigor regulatório. No entanto, a implementação dessas adaptações enfrenta limitações inerentes aos ciclos produtivos da pecuária. Na avicultura, o ciclo de produção de um frango supera pouco mais de 40 dias. Na bovinocultura, o período entre o nascimento e o abate varia, em geral, de 24 a 36 meses, mesmo em sistemas de elevada eficiência tecnológica.

Esse intervalo reduz a velocidade de adaptação da cadeia produtiva, tornando mais longo o processo de atendimento às novas exigências sanitárias e de certificação. O avanço das exigências internacionais reforça a necessidade de sistemas capazes de comprovar rastreabilidade, transparência e conformidade ao longo de toda a cadeia produtiva. Nesse contexto, a competitividade do agronegócio brasileiro depende cada vez mais da capacidade de antecipar mudanças regulatórias, adequar processos produtivos e atender aos padrões exigidos pelos principais mercados importadores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.