07/Jul/2026
Segundo o Itaú BBA, os frigoríficos brasileiros iniciaram ajustes em suas operações diante do forte ritmo das exportações de carne bovina para a China, que deverá levar ao preenchimento da cota anual de importação do país asiático. Parte das empresas suspendeu a produção de cortes específicos destinados ao mercado chinês e, em alguns casos, adotou paradas temporárias e férias coletivas enquanto aguarda a retomada das compras pelo principal destino das exportações brasileiras. Os embarques de carne bovina para a China mantiveram ritmo elevado ao longo de junho e alcançaram aproximadamente 770 mil toneladas no acumulado de 2026. Considerando ainda cerca de 350 mil toneladas já embarcadas, mas ainda em trânsito, o volume destinado ao mercado chinês deverá preencher integralmente a cota anual de importação.
A atividade do setor poderá começar a se normalizar a partir de outubro, período em que a China poderá retomar as compras. Até lá, a capacidade dos frigoríficos de redirecionar exportações para outros mercados será determinante para reduzir os impactos sobre a indústria, especialmente diante do aumento das exigências da União Europeia para as importações de carne bovina. A Minerva tende a apresentar impacto mais limitado nesse cenário. Parte da produção poderá ser direcionada ao mercado dos Estados Unidos, onde a demanda permanece aquecida, enquanto uma parcela dos embarques destinados à China poderá ser suprida por operações da companhia em outros países da América Latina. O banco também destaca que a queda aproximada de 6% nos preços do boi gordo durante junho tende a reduzir parte da pressão sobre os custos da indústria no curto prazo.
O Itaú BBA considera positiva a implementação, em 1º de julho, do novo sistema brasileiro de rastreabilidade para carnes destinadas à União Europeia. A expectativa é de que a medida contribua para acelerar a normalização dos embarques e reduzir o risco de restrições mais amplas às importações previstas para setembro, favorecendo a continuidade das exportações ao bloco europeu. Nos Estados Unidos, os grandes frigoríficos continuam enfrentando pressão em suas margens em razão da escassez de bovinos para abate e do elevado custo da matéria-prima. Embora o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) tenha anunciado um programa de US$ 500 milhões para apoiar frigoríficos de pequeno e médio porte, a iniciativa deverá produzir apenas efeitos temporários. Para o segundo trimestre de 2026, o banco projeta contração de 290 pontos-base nas margens da indústria norte-americana de carne bovina, refletindo principalmente o aumento dos custos do gado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.